31/03/19

Ana Maria Monteiro ― desafio 168

O caso era surpreendente e todos o encaravam com certa amargura uma vez que, no seu início, não houve um só indiferente. Ambos experientes otorrinolaringologistas, nunca antes se lhes deparara nada de semelhante: o homem falava com os olhos e a sua garganta irradiava uma luz tremeluzente mas forte que punha a nu os propósitos de quem estivesse com ele. Incómodo e sem cura, o seu internamento foi decidido sem vacilação ou necessidade de mais pareceres avalizados.
Ana Maria Monteiro, 59 anos, Braga
Desafio nº 168 ― o caso surpreendente

Natércia Tomás ― desafio 167

Chego depois de amanhã, ao nascer do sol, Amílcar.  Vinte anos depois, apenas esta frase numa carta (a primeira) sem remetente, carimbo de França, datada de dois dias antes. Vinte anos sem uma notícia: se bem, se mal, se vivo, se morto. Nada, silêncio absoluto: uma vida consumida na saudade, incerteza, ignorância, desespero, revolta e, agora, "chego ao nascer do sol"? Meteu na mala roupa e alguns objetos pessoais. Saiu,
batendo a porta para nunca mais voltar. 
Natércia Tomás, 65 anos, Caldas da Rainha
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Carla Silva ― desafio 166


Elias vivia ao lado de Rita. Embora tentassem esconder amavam-se.
Em dias de sol Elias dava a mão a Rita, coisa que fazia desde a pré, e saíam por aí. As mães viam tudo ao longe. Carmuja, cidade pacata, albergava-os. Quiçá um dia, um deles visse o amor no olhar do outro. Entretanto restava aguardar pacientemente. Mas até que dia? 
Quando perceberiam amar-se perdidamente?
Que dia, o tolo Elias, iria ver que a pré ficou para trás?  
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja

Ana Maria Monteiro ― desafio 127

ilustre ator era esperado para a estreia da peça de teatro: ”O Astrónomo do Coração Destroçado!” Infelizmente o jantar estava estragado, o que causou uma estranha e sinistra gastrite aguda, tendo o ator visto o seu campo de ação restringido ao espaço do quarto do hospital onde este mestre na arte do disfarce terá aproveitado para usar com mestria o seu encanto junto de uma enfermeira que logo se lhe rendeu. Nessa altura revelou-se o monstro.
Ana Maria Monteiro
Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3

Afonso B ― desafio 23


O João e a Joana foram ao Areias comer LEITÃO. O pai Orlando pediu vinho que já vinha sem ROLHA e a mãe pediu prego que vinha com ALMOFARIZ para esmagar o alho. 
Quando chegaram a casa o DESPERTADOR estava a tocar no chão, porque de tanto tocar e saltar caiu, empurrando a BOLA DE TÉNIS e esmagando uma VESPA. O sangue sujou o chão e a Joana foi buscar PAPEL à casa de banho para limpar. 
Afonso B., 8 anos, Paços de Ferreira, prof Joana Pinto
Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel

Chica ― desafio 168


No cemitério
O caso era surpreendente.
Calhava coisa de outro mundo?
Por mais que lá se passasse, não acostumávamos. Sustos inevitáveis. Colombo jurou por lá não mais atravessar, após ver arrepiadoras cenas. Desmoronamentorecipientes ocos, ossos por todo lado. E tudo que antes era tão resistente, desmoronou.
O que por ali havia ocorrido?
Após transcorrido um tempo, desvendado tudo.
Menininhos em grupo usufruíam dos corredores prolongados onde traquinavam, pedalavam e ainda assustavam quem por ali passasse!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 168 ― o caso surpreendente

30/03/19

EXEMPLOS - desafio 168

No cemitério
O caso era surpreendente.
Calhava coisa de outro mundo?
Por mais que lá se passasse, não acostumávamos. Sustos inevitáveis. Colombo jurou por lá não mais atravessar, após ver arrepiadoras cenas. Desmoronamentorecipientes ocos, ossos por todo lado. E tudo que antes era tão resistente, desmoronou.
O que por ali havia ocorrido?
Após transcorrido um tempo, desvendado tudo.
Menininhos em grupo usufruíam dos corredores prolongados onde traquinavam, pedalavam e ainda assustavam quem por ali passasse!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

29/03/19

Desafio nº 168

Que texto surge desta regra (preparem-se para sofrer):

Todas as palavras com mais de 5 letras têm de possuir no seu interior 3 letras iguais!
Por exemplo: contorno (3 O); estatísticas (3T); compreendeste (4 E); Filipinha (3 I); etc.

Partimos deste início:
O caso era surpreendente.

Eu fiz assim:
O caso era surpreendente, com contornos assustadores para os mais conhecedores! Não havia rasto de extraterrestres, mas tudo apontava para que a causa de tanto atabalhoamento só podia vir deles. A nave abandonada tinha luzes tremeluzentes de outro mundo, cabos de um metal desconhecidamente novo de energética imprevisível. Inicialmente, Zé Pedro usurpou o poder dando início ao desmantelamento da nave. Má sorte a sua. Ainda havia um extraterrestre no porão. Desintegrou-se de repente, e a nave sumiu.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 168 ― o caso surpreendente
MAIS TEXTOS

Isabel Lopo ― desafio 167


Chego amanhã ao nascer do sol. Vou para te arrancar dessa ditadura....
Aquela carta trouxe-lhe um novo alento a alma. Falava-lhe de regressos e de alguém que a queria resgatar! Mas a fuga estava planeada para essa noite. Sabia-se de prisões aleatórias, pessoas desaparecidas. Quando disse aos companheiros que decidira ficar, eles chamaram-lhe louca. Determinada, acreditava na força do espírito e sobretudo no homem que amava. Então, sentou-se serenamente, esperando que as trevas se transformassem em luz...
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Carla Silva ― desafio 164


Talvez 
Naquele momento questionou a compra impulsiva. Algo naquele quadro a incentivara a comprá-lo. 
Talvez o motivo estivesse no facto do pai ter sido pescador. Ou porque a mãe dizia sentir-se como um navio no fundo do mar após a morte do marido. Talvez porque ela própria, devido ao seu desastroso casamento, se sentia a nadar em águas profundas. Ou talvez simplesmente tivesse gostado dele... 
Talvez no fundo entendesse, talvez fosse por tudo isso ou talvez por nada. 
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 164 ― imagem de navio afundado

Paula Castanheira ― desafio 167


‘Chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa maldita concha!’
Adelaide tremia agarrada à carta. Quem era, sabia da sua depressão.
A letra parecia desenhada a escantilhão, não era natural. Irreconhecível! Envelope branco, sem selo, sem remetente, completamente descaraterizado!
Ansiosa, continuou.
‘Não haverá mais desculpas’.
Voltou-se de novo para o envelope, lá dentro estava um bilhete de avião. Destino, Brasil, Fernando Noronha.
Ricardo!
Viagem de sonho de um amor que ela julgava perdido!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Margarida Leite ― desafio 4


O bule rachado
Sou um bule rachado, sou! E então, qual é o vosso problema, ó bules pindéricos, de barro branco?
Estou rachado porque todas as ladies querem pegar na minha asinha de porcelana, pintada à mão. Deleitarem-se com um chá perfumado, que eu mantenho quentinho como pão a sair do forno!
Sou amado pela digníssima clientela, que prefere um bule rachado mas colorido e cheio de estilo a um bule sem mazelas mas vulgar!
É muito feio ter inveja…
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 4começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Grandes Miúdos de hoje


Em minha casa está uma lareira, mas não temos fósforos para acendê-la, por isso a minha avó está com pena. Depois de o meu pai chegar com fósforos, a minha avó deu um sorriso. A minha mãe acendeu a lareira e logo de seguida, com o fogo da lareira, a casa aqueceu bastante. De repente vem muito fumo da sala, o meu pai foi abrir a grande janela da sala: a partir daí o fumo parou logo.
Rodolfo Piedade, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Filipe sente que não está bem. Ao afirmar não ser repentino, mente. "É um dia igual a tantos outros", afirma ele ao pensar. Mas não se conforma com este auto-conforto. Continuará a tentar. Até é verdade, o Filipe, apesar de teimoso é veemente. Esta inquietação de alma não passa de uma parvoíce, verá. Este rapaz apenas terá de esperar e, por vezes desesperar, perseverantemente. Mas "o esforço compensa sempre" - afirma quem lhe passa rente. Talvez tenha razão...
Francisca Reis, 18 anos, Cantanhede
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

28/03/19

Grandes miúdos de hoje


Num dia eu fiz uma experiência. Peguei nas plantas carnívoras, pu-las dentro de jaulas para ver se elas eram fortes; no início dei-lhes superpoderes para irem para a guerra civil.
Elas tinham possibilidades de deitar fogo pela boca, voar, e umas eram empregadas de casa.
Eu fiquei com um sorriso, pois ia receber um prémio por fazer plantas carnívoras modificadas, mas fiquei com pena das outras pessoas não o terem recebido….
Então peguei no prémio e partilhei-o. 
João Sousa, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Cláudia e Isabel ainda deixaram entrar Nádia, Ana, Tânia, António, Luís e Henrique antes do foguetão onde ia Neil Armstrong ser lançado. Neil espreitava pela janela, contemplava e sorria.
Enquanto isso, os seis amigos discutiam se Neil chegaria à Lua.
Quando ele lá chegou, saiu do foguetão e disse:
“Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”.
No dia seguinte, os seis amigos viram nas notícias o vídeo de Neil na Lua. 
Sara Mendes, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 158 – acróstico de CEIA DE NATAL

27/03/19

Jaime A ― sem desafio

Quando os passos 
incertos 
se tornarem estridentes, 
quando o sorriso 
vivaz 
se tornar lerdo, 
quando os meus olhos 
despidos de ti 
se tornarem centelha, 
então saberei que o meu tempo, 
que a minha fome de silêncio, 
terão sentido na madrugada 
que se alastra até pelo horizonte fora. 

Diz-me quando for a hora, 
desperta-me 
do terror hirto, 
da chama já mortiça, 

e deixa-me caminhar, 
caminhar muito, 
até ao fim do exílio simétrico, 
que jamais impus à minha alma. 
Jaime A. 54 anos. Lisboa

Helena Rosinha ― desafio 164


Conheço-os desde o princípio dos tempos. Conheço-lhes a ambição, os planos, as dores. Ignorando augúrios, aventuram-se por rotas tenebrosas, desafiam marés, intempéries, a ira dos deuses... Têm as terras incógnitas no pensamento.
Vede como estoutro lesto se abalança, destemido; o equipamento inovador, supostamente indestrutível, aguça o atrevimento, transmite-lhes confiança. Ah, humanos crédulos, proferi as vossas preces, pois não tardareis a defrontar o guardião das profundezas, reduto de muitos sonhos, ganância e fraquezas. 
Estes são os meus domínios!
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 164 ― imagem de navio afundado

Cristina Lameiras ― desafio 166


Contradições
Diana era uma cabra veloz, rara.
Sempre queixosa, injusta, furiosa.
Sem pudor, com fúria, odiar ao acaso em tom cruel.
Gentileza, delicadeza, lealdade, desconhecia...
Em relax, pele macia, com saúde vivia numa caixa.
Dilacerou gente desprotegida, sozinha.
Numa nuvem densa, brisa meiga, viu um homem.
Sequela estranha, palerma dinâmica.
Viver com medo, ânsia de ter sorte ou praga óbvia?
Cambalhotas desajeitadas, palhaça desleixada.
De certa forma há aqui e ali um prazo louco nesta noite de verão.
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal de Cambra 
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja

Theo De Bakkere ― desafio 167


O enxame
― Sim Senhora, chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa praga.
Palavras tranquilizantes, mas ninguém se atrevia a visitar a latrina. Era um vaivém de insetos, pronto a picar. No dia seguinte a casa do banho ficou zona proibida. Porém o exterminador devia voltar com as mãos vazias. A empregada de limpeza, ignorando da algazarra no escritório, ao abrir a janela resolvera o problema. Um enxame de abelhas fugiu, farto do cheiro estranho.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Cristina Lameiras ― desafio 165

Juventude inquieta
Naquela beleza rebelde estava uma jovem insolente imaginado margens luminosas quando impaciente começou a chorar.
Nada impressionada, protestou.
Dora, duquesa fútil, vestidos perfeitos, trocista, intimidante, vivia freneticamente na voracidade diária.
Bisneta de um duque, herdeira de grande fortuna, misteriosa, favorita para a sucessão, ensinada para sorrir e acenar, balbuciou cautelosamente.
Sempre vivera debaixo de holofotes, sem regras, julgando-se dona de um império, com lucros, sem informações.
Caiu na realidade dolorosa, grosseira...
Confiara demais no gestor de fortunas...
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal de Cambra 
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Margarida Leite ― desafio 159

O testemunho
Era a sua vez de testemunhar. As pernas tremiam-lhe e das suas mãos nascia água. Com voz trémula, obrigou as palavras a saírem-lhe da boca seca: “Durante anos, um homem fez-me acreditar que nada valia. Ofendia-me aos berros, empurrava-me, puxava-me os cabelos, apertava-me o pescoço. Eu abandonava-o. Mas o lobo, disfarçado de cordeiro, perseguia-me. E eu, frágil, cedia. Até ganhar coragem e sair. Para sempre. Não desculpem o primeiro berro. Exijam respeito. Sejam felizes!”.
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Cristina Lameiras ― desafio 164


Heranças secretas
Está a chover! Paciência...
Não é uma chuva que vai destruir a excursão há muito programada.
Mergulhar aos tropeções nas profundezas do mar, sentir a água gelada, procurar heranças secretas, riquezas proibidas, rasto insistente partilhado por gerações.
É maravilhoso procurar esconderijos no navio naufragado, sensação de felicidade, harmonia com o meio ambiente.
Está na hora de descansar, trocar os dias insípidos e bucólicos do campo, partir para a aventura.
Gritar liberdade, viver brincadeiras no fundo do oceano.
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal de Cambra 
Desafio nº 164 ― imagem de navio afundado

Grandes Miúdos de hoje


O Romeu bebeu um refrigerante de laranja ao almoço. Saiu à rua, viu muita gente à porta da Caixa Agrícola e viu o gerente muito irritado. Para o animar deu-lhe uma batata frita.
O homem deu um pontapé na batata, à sua frente.
O Romeu ficou triste e enterrou a batata na terra. Pegou na mangueira, abriu a torneira e começou a regar o pequeno jardim. Depois virou a mangueira para o chefe e este ficou encharcado.
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

No bairro vivia a Dona Alice com a sua gatinha Mimi. Um dia, enquanto foi à mercearia, esqueceu-se da panela ao lume.
A vizinha da frente reparou nas chamas que se viam dentro da cozinha. Rapidamente, esta chamou os bombeiros que, num ápice, apagaram o fogo.
Aflita e com pena da Mimi, a D. Alice começou a chorar. Felizmente, quando viu o sorriso no rosto do bombeiro que trazia a gata ao colo, a Dona Alice alegrou-se.
Leonor Patrício, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

26/03/19

Grandes Miúdos de hoje


Era uma vez uma rapariga chamada Rafaela ou Rafa como a tratavam. Rafa era de uma família muito rica e uma famosa menina do papá. Na escola da Rafa andavam também duas raparigas melhores amigas, uma delas era a Fabi, a outra era a Kika.
A Fabi era órfã e a Rafa gozava com ela! Farta, a Kika um dia disse à Rafa:
― Tu crias um fogo à tua volta!… Mete um sorriso! Tenho pena de ti!!! 
Rita Vieira, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Esta é a história do José Figueiredo que foi desfigurado a afugentar galinhas para proteger uma figueira lá na sua quinta.
Ele tentou fazer de tudo: assá-las no fogão, enviá-las num foguetão ou comunicar com elas por gestos e figuras. Até se lembrou de as afagar com carinho, mas foi tudo em vão!
Para afogar as mágoas, decidiu comer óleo de fígado de bacalhau… Fez uma grande fogueira e saltou uma fagulha que pôs todos em fuga
Frederico Rosa, 14 anos, Almoçageme, Jacqueline Santos, 14 anos, Penedo, Tomé Melo, 12 anos, Galamares, Apoio Educativo, prof Maria João Lavrador
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

25/03/19

Cristina Isabel Santos ― desafio 152

As lágrimas escorriam-lhe pelas mãos. Não tinha voz.
De repente, todas as feridas a tinham calado. Estavam coladas na garganta. Só os olhos falavam.
Não se conteve, atirou-se borda fora, enterrou os pés no chão seco, vazio, morto. 
A cerca velha da quinta libertava-lhe as memórias. Memórias que lhe empurravam as feridas guardadas no estômago e ficavam atafulhadas na garganta.
Isto tudo pertencia a António. Mas António, agora, era nada, como aquele chão de terra. Seco. Morto. 
Cristina Isabel Santos, 43 anos, Lisboa
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Celeste Gregório Lopes ― desafio 167


Sei que me esperas há muito.
Vigias. Aguardas. Contas o tempo.
Velas ― escolheste a melhor semente, cuidaste da minha cama de terra, bebi da tua água.
Viste com orgulho quando brotei, contaste todas as minhas folhas, sorriste ao botão que anuncia a flor.
A tudo tens sido atenta. Olhas, observas, tentas adivinhar a cor.
Chego ao nascer do sol. Acredita. Porque sou a força da Natureza, vim do teu querer, do teu amor.
Serei uma flor feliz.
Celeste Gregório Lopes, 57 anos, Santarém
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Grandes Miúdos de hoje


Consegui entrar ileso, após dia e noite: atentei, tudo alcancei; logo depois fugi para casa. Saí a perder com apenas três joias, devem ser valiosas já que estavam num cofre. Vou agora para a joalharia vender estas três joias valiosas. No final das contas saí a ganhar pois consegui 19.350 euros, para começar já é bom.
Comprarei uma mansão de rico com piscina, comprarei também móveis de rico. E construirei uma família com muito dinheiro. Adoro riqueza!
Diogo Cardoso, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 158 – acróstico de CEIA DE NATAL

Era uma vez uma menina que adorava dar longos passeios pelo bosque. Certo dia encontrou, caída no chão, uma pena verde e roxa e decidiu procurar o seu dono. Ao ouvir um piar fraquinho foi dar com o pequenote cheio de frio e de fome. Embrulhado no seu cachecol, levou-o para casa, alimentou-o e o fogo da lareira manteve-o quentinho durante o inverno.
Na primavera iria voltar à floresta e despedir-se do seu amigo com um sorriso.
Salomé Vasconcelos, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

24/03/19

Natércia Tomás ― desafio 166

Vivia bem no alto da serra e era o mais feliz de todos no local, terra de gente de paz onde ele, Elias, era o Tolo. Coração grande, nascido Caramujano. Nado ali, cria de mãe só, sem pai nem tino, mas filho da terra, irmão de todos. Envelhecera cândido, eterna criança. De olho azul, alma pura, era um velho feliz a tocar o sino, a chamar à missa. Morreu dormindo, sorriso tranquilo. Então o sino tocou, tocou..
Natércia Tomás, 65 anos, Caldas da Rainha
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja

David R ― desafio 160


Era uma vez um menino chamado Francisco, que vivia junto a uma figueira. Ele adorava comer figos fogaça ao lanche. A avó, sempre a afagar o seu fagote junto ao fogão, avisava-o que podia ficar mal do fígado. O Francisco também adorava fogo fogueiras. Os seus brinquedos preferidos eram os seus foguetões e sonhava fugir para a Lua e tornar-se o primeiro fugitivo no espaço.
Vai ser uma aventura fantástica e inesquecível que certamente viverá.
David R, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

Zelinda Baião ― desafio 165


Zelinda Baião, 55 anos, Linda-a-Velha
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

23/03/19

Carla Silva ― desafio 167


Chego amanhã com o nascer do sol para te arrancar dessa vida.
O pequeno papel repousava amarrotado no bolso.
Sabia quem o enviara. Devia ter ido...
Tinha a certeza disso. Disso e que não devia ter dado segundas oportunidades ou aceitar pedidos de desculpa por muitas flores que os acompanhassem.
Mas o amor era... Amor... Não. Não era amor!
Era medo. Mais que nunca precisava ser forte, precisava sair daquela vivência doentia para voltar a ser feliz.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

22/03/19

Cristina Isabel Santos ― desafio 115

Salpicava os olhos com os dedos. 
Não podia adormecer. Nos ramos da árvore pousava o sono. 
Os olhos queriam encostar-lhe a cabeça ao tronco. 
Começou a contar carneiros, porque virou noites e manhãs   
acordado com campos cheiinhos de carneiros. 
Cada um tinha nome, cor e um sentido.
Ouviu um estalido. Deixou os carneiros agarrados ao tronco, 
a cor do céu desaparecia, ele procurava os companheiros.
Tinha ficado de tocaia com medo da solidão.
Acabou por ser apanhado.
Cristina Isabel Santos, 43 anos, Lisboa
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

Daniel C ― desafio 159

Era uma vez um urso rei.
Muito rico, não dava a ninguém!
Um dia, olhou para os seus súbditos
E reparou, que a eles, lhes faltava dinheiro.

Então por ver o mal que ele fez
Doou metade do dinheiro todo de uma vez.
Mas não era só isso,
comida também era precisa.

Rapidamente pegou no seu banquete
Distribuiu tudo para aliviar a mente.
Os anos passaram e o reino já era uma cidade
Obviamente feliz, com capacidade!
Daniel C, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Frederico C ― desafio 159

A diferença é algo de que todos precisamos, mas como é que vamos fazer a diferença?
É simples:  JUNTOS!!!
Fazer a diferença é ajudar todos à sua volta; é acabar com o racismo; é trabalhar em comunidade; é saber viver em paz na sociedade; é erradicar a fome e a pobreza; é não se preocupar apenas consigo mas com todos.
Juntos podemos mudar o mundo pois juntos somos mais fortes, mais inteligentes, conseguindo assim fazer a DIFERENÇA!!!
Frederico C, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença