30/09/19

Chica ― desafio 186

Ninguém diria que um só balde deixado displicentemente no meio do caminho poderia tanto problema dar, justo no dia do noivado.
Ângelahumilde trabalhadora, coitada foi a vítima da situação.
Estava a limpar a moldura de uma porta, quando BANG! Bateu e tropeçou no balde mal colocado e o dente voou.
Ficou banguela, que maldade! Isso não poderia ter acontecido. Não merecia!
Agora correr pro dentista Albert, gringo na aldeia.
Enquanto isso, apenas tomar caldo ou muito angu.
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Marta D ― desafio 1

Numa linda noite de verão, no acampamento “O Sorriso de uma Criança”, a Maria, a Eva, o Rodrigo e a Inês estavam à fogueira. O fogo brilhava nos seus olhos. O brilho da noite refletia no mar.
Eles cantaram, dançaram; por fim, comeram. Mais tarde foram dormir. No dia seguinte, ao ouvirem o galo cantar, levantaram-se e arranjaram-se para comer. Logo a seguir uma das suas atividades foi apanhar doze penas, para com elas fazerem uma coroa.
Marta D, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

João Ricardo O ― desafio 1

A poluição do ambiente está a fazer mal à atmosfera e é por essa razão que existe muito fogo.  É pena, porque os humanos ficam sem habitação.                          
Com o vento, as chamas pioram e há menos florestação. Lembram-se da tragédia em Pedrogão Grande, em que tudo se destruiu? Foi um dia triste para todos, até mesmo nós em casa sentimos. O nosso  planeta está a ficar doente.
Vamos não poluir? Pode ser? Isto dá-me um grande sorriso!
João Ricardo O, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Miguel P ― desafio 181


Perdidos
sol estava brilhante
e a areia escaldante
No deserto sem maré 
vi  um hotel e disse "Ié!" 

Já estava a anoitecer
então decidi ler.
O meu amigo levou uma picada
de um bicho que por lá andava.

Comemos o farnel
e estava delicioso, Miguel!
Meti-lhe creme e começou a arder
disse-lhe “não te mexas, se queres sobreviver”.

Voltamos para Portugal
para ver se nada corria mal
O que veio a acontecer, 
desculpa, não posso dizer.
Miguel P, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Margarida F ― desafio 181

A minha casa nova
funciona a energia solar.
A pior parte,
é a zona gato.
Aquela caixa de areia,
é a minha maior tareia:
Ninguém tolera 
lá estar!
Todos os dias
ao amanhecer
maresia
é o meu prazer.
No jardim,
há um cantinho de leitura.
Um amigo meu
foi picado por abelhas.
Não foi uma experiência
lá muito agradável...
É que tínhamos ideias
de fazer lá um piquenique!
O farnel era 
Bolas de Berlim com creme.
Margarida F, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Inês M ― desafio 181

Pela manhã fui ver o tempo: um sol maravilhoso! Depois fui brincar para um parque de areia. Fui almoçar com a minha tia, que vive perto do mar, aproveitei e li um pouco. Depois passei a tarde com o meu amigo que foi picado por uma abelha. No dia seguinte fiz um piquenique com a minha família: todos trouxeram o seu farnel que cheirava bem. Também não me podia esquecer de pôr no saco o creme solar!
Inês M, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Judite ― escritiva 11

Há palavras que não são para nós
ninguém suspeita para quem são
mas nós sabemos que são nossas
Vêm nas asas dos pássaros apressados
nas brisas quietas disfarçadas
nas carinhosas gotas de chuva
nas nuvens tempestuosas
no sol esquivo de Janeiro
no burburinho do mar
no aceno das estrelas
Vêm sempre,
todos os dias
por vezes até gritam
outras vezes segredam
são palavras silenciosas
mas ouvem-se sempre
entram pela alma
tocam o coração
e encharcam os olhos
Judite, 27 anos, Santarém
Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Desafio nº 186

Vamos procurar que contenham estas letras seguidas:
LD (como maLDita)
ou
NG (como fuNGo).

Precisaremos de 6 de cada. O texto será o resultado destas 12 palavras.

Ora eu fiz assim:
Ui! Começa a maldita época dos congressos e estou sempre a vê-la. Não é uma beldade, é só uma mulher interessante, dengosa e esperta. Põe-me doido. Pudesse eu cingi-la num abraço, num toldo na praia… Que angústia! Que penso eu! A minha mulher só veria isto de um ângulo: a infidelidade. E rebelde como é, bingo, ficava de malas à porta. Tenho de me moldar à evidência, seria sempre saldo negativo para mim. Maldita época dos congressos!
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

26/09/19

Helena Rosinha ― desafio 185


Imprópria para consumo”. Indignada com o veredicto, interrogo-me sobre tamanha infâmia, evocando imagens vívidas, intensas. Eu — intrépida, fresca, impoluta, pulando fragas, invadindo planícies, servindo indiscriminadamente todos, incapaz de recusar-lhes instantes prazerosos — sou insultada desta forma insidiosa. Poderia ignorá-los, mas incomoda-me ingratidão. Acusada injustamente, é inacreditável! As ilusões, inocência,  perdem-se, inevitavelmente, neste percurso ininterrupto, em que me infligem danos indescritíveis. Agora, técnicos laboratoriais, ironicamente, apelidam-me de mal-cheirosa, insalubre A mim, inodora nascida, indispensável à vida, insubstituível!
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 185 ― palavras com i


Carla Silva ― desafio 179


E o quê?
― Não sei que te diga. Ou melhor dizendo, não sei que queres que te diga.
― No meu lugar, que farias?
― Eu? Olha, para começar não estava à espera do que viesse, já lhe tinha dito das boas e recomeçava num outro lugar. 
― Não é tão simples. 
― Como não?! És parvo? Tu vê lá, separas-te e tentas com outra. Simples não?
― Mas que dirão os demais?
― Talvez que já estava na hora de abrires os olhos. 
― Pois, talvez. 
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 179 ― anagramas das setenta e sete palavras

24/09/19

Helder Bernardo ― desafio 35


Tudo o que vem é grato – dizia Ivo! Quando o vento dançava, saíam-lhe notas musicais do coração, porque era assim que o ar libertava os pensamentos.
Após o vento Sul, saudava a chuva milagrosamente – Ivo lembrava-se dos momentos em que cerrava os olhos na alma, voltando lavado em lágrimas. Formava-se um oceano de serenidade.
Quando o Sol insistia na agitação da natureza - Ivo não perseguia os apressados, guiava-se pelo instinto dos gatos, que buscam o sol quando há sol.
Helder Bernardo, 58 anos, Sines
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Isabel Sousa ― desafio 185

Irra, que idiotas! ― dizia José, razoavelmente indignado.
Em conversas banais ― ignorantes sem escrúpulos ― entregavam-se ignobilmente a conjeturar vergonhosas intentonas, repletas de intolerância e pura inveja.
Entregavam-se a macabras ideias, sem sentido, completamente incoerentes. Procuravam alvos indefesos, inventando apelidos, ações ou irregularidades.
Com funções laborais ignoradas, comportavam-se pecaminosamente irresponsáveis.
As suas mentes indicavam graves distúrbios ― evidenciando insípidos raciocínios, vida imoral, inexistência de educação, irrisório bom senso.
Revelavam-se imparáveis ― sonhavam com o improvável abate e última inspiração dos alvejados. 
Isabel Sousa, 38 anos, Lisboa
Desafio nº 185 ― palavras com i

Theo De Bakkere ― desafio 185

A indolência dos políticos
Embora o inquilino da Casa Branca ironizasse irritantemente qualquer aviso inegável, depois dos furacões Igor e Isaura, um outro ciclone impiedosoinfestava as costas mundiais inseguras. Óbvio, o aquecimento integral da terra intensificara-lhes em força.As indemnizações importarão em milhões. Milhares ilhéus ficavam sem casa. Imagina, no pólo ártico, imensos icebergues estão condenados ao inferno. A indolência dos políticos internacionais criava um impasse. Enquanto milhares pessoas indignados protestaram, eu irrigava o carvalho recentemente implantado no jardim.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nº 185 ― palavras com i

Manuela e ID ― desafio 185

Infelizmente, desconhecemos como iremos organizar uma história irrepetível, porque a ironia é alegremente interessante.
Caminho irregular, subimos uma rampa íngreme, com ideias positivas, mas assustadoras. 
Integrarmo-nos na escola imediatamente…??? Sem dúvida!
Deixando inseguranças anularem-se, em irrelevantes pensamentos, imitamos os outros, não implicando ter comportamentos incorretos, obviamente.
A ironia de tudo isto, são os instantes que passamos irritados, com a ignorância de alguns colegas indecentes.
Sem indiferença, os professores ironizam os maus comportamentos, indicando atitudes dignas e interessantes
Manuela e ID, 16 anos, Alcobaça
Desafio nº 185 ― palavras com i

Carla Silva ― desafio 180


O tempo passa
Apesar de continuar a mesma, algo mudou. A dor que me dilacera interiormente não desapareceu mas está mais ténue. O que não significa que esqueci. Acho que nunca esquecerei e às vezes dói, dói muito. 
Talvez porque o tempo parece não passar. Mas o tempo passa. Mesmo quando tal parece impossível, mesmo quando se teima em permanecer no passado, ele passa. 
E aquele sorriso, ainda que breve, é prova disso. Passa e leva algo consigo. 
Carla Silva, 45 anos, Barbacena
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Eduardo Gonçalves ― escritiva 12


No início eu era um aluno médio, mas mau a inglês. Confundia um verbo com outro e as minhas notas eram suficiente!
Imaginem como era quando me transformei num adolescente! Esforcei-me nessa disciplina; entretanto comecei a melhorar e consegui até ir ao Quadro de Honra!
Os meus pais ficaram muito orgulhosos e até o meu irmão mais novo ficou inspirado.
Aos dezoito anos acabei a escola com boas notas.
Agora estou em Inglaterra a estudar numa universidade!
Eduardo Gonçalves, 6º D, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

23/09/19

Paula Castanheira ― desafio 185


Isaac, jornalista, nasceu Israelita. A eterna e ignóbil guerrilha contra Gaza, interiorizou-se nos seus dias.
Infortúnio?
Talvez!
Da impaciência fez coragem!
Iria bater-se pela paz!
Israelitas e Palestinianos continuavam intransigentes. Com as palavras, iria despertar mentalidades adormecidas.
Incitaria ao diálogo. Os interesses dos povos envolvidos, importavam acima de qualquer intriga fabricada. Queria para Ismael uma infância feliz!
Iniciou uma verdadeira marcha. Independentes, jornalistas do mundo inteiro, lutaram, sem armas.
Incansáveis, as palavras firmes, impuseram-se.
Pela Terra Prometida!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 185 ― palavras com i

Natalina Marques ― desafio 185

Julgas-me teu INIMIGO, não, sua INTRIGUISTA.
Um pouco IMPETUOSO, sim, mas não IMPACIENTE, como tu INSISTES em achar. IMPÕES as regras INOPORTUNAS, sem nenhuma IMPORTÂNCIA, apenas com a INTENÇÃO de me magoar.
IMPLACÁVEL, é o que INSISTO em chamar-te. INFELIZMENTE, a tua INDEPENDÊNCIA criou uma INCERTEZA de continuar amar-te.
IMAGINAÇÃO fértil tens, mas ISSO não me IMPEDE de dizer-te com INDIFERENÇA, que és IMPOSSÍVEL.
Mas, também és,INEVITAVELMENTE a minha IDÁLIA, que amo na IMENSIDÃO dos meus sonhos.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 185 ― palavras com i

Filomena Galvão ― desafio 185

Ivone não imaginava o incrível e irritante barulho que iniciara quando o programa informático arrancou.
Isabel, da administração interna, irritou-se. Irada vociferou:
― Irra. Isto é insuportável.
Foi ter imediatamente com o Intendente informou-o:
― Isto incomoda-me imenso. É infernal, intolerável.
Infelizmente o Intendente era de provecta idadeinfoexcluído e sentia-se incapaz. Mediante incerta resolução, indignou-se, delegou a intendência. Iria retirar-seEra imperatório. Voltaria à ilha onde nascera. Ilha paradisíaca do Índico. Dedicar-se-ia às imagens fotográficas, sua paixão.
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 185 ― palavras com i

Maria João Cortês ― desafio 184

O homem chegou ainda de madrugada. Vinha munido de uma serra elétrica barulhenta que, em dois tempos, começou a cortar as árvores. Corta daqui, corta dacolá, levou os troncos grandes e nós ficámos para ali, postos de lado aos bocadinhos e com destino certo.
Só um destoava. Estava tão amarelo coitado, devia estar a sentir-se mal e não falava com nenhum de nós.
Esperava talvez ser aproveitado para algum adorno e poder escapar à fogueira.
Quem sabe?
Maria João Cortês, 75 anos, Lisboa
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha (em versão história)

20/09/19

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio 185


Invenções
Eram muitos tantos inventos
Sempre em cada instante
Que fiquei sem inspiracão
Para escrever poema idílico
À natureza estava implicito.
Que se tornou imprescindível
E não fiquei indiferente.
E assim muito indelével
num movimento quase impetuoso
Eu socorri aquele idoso
E livrei-o duma intempérie
Que estava mesmo iminente.
Sem querer ser inconveniente
Num abraço forte intrínseco.
Fomos os dois inteligentes
Abrigámo-nos sensatamente numa ilhota
Um poema surgiu imediatamente
Este meu companheiro inventou
Ser prosa e poesia imoral.
Maria Silvéria dos Mártires, Lisboa
Desafio nº 185 ― palavras com i

Mariana Lopes ― desafio RS 10

Com carinho, descascámos os marmelos – ficaram aveludados.
Cortámo-los em quartos e retirámos as sementes. Em equilíbrio, pesámo-los – soubemos logo a quantidade – três quilos. Precisámos de açúcar, preenchemos a balança com este ingrediente – dois quilos.
Os marmelos, em cubinhos, envoltos no açúcar, foram ao lume, até o açúcar ficar derretido e os marmelos cozidos. Prontamente, triturámos tudo. Com muito amor, pusemos tudo a apurar. Aquietámos o preparado em caixas de plástico e deixámos arrefecer.
Teremos marmelada para deliciosos pequenos-almoços.
Mariana Lopes, 18 anos, Alcobaça
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Verena Niederberger ― desafio 185


Irineu, cão idoso, era por todos idolatrado.
Instintivamente acompanhava donos ao Instituto de Beleza.
Ladeira era íngreme e eles iam devagar.

Irineu era ídolo dos frequentadores do Instituto.
Naquele dia os donos iriam ao INSS.
Sabiam, no íntimo, aposentadoria INSS iam precisar

De volta ao InstitutoIrineu foi repousar.
Os donos eram incansáveis em Irineu poupar.
Ídolo idoso sabiam que pouco iria durar.
Imediatamente, após o repouso, Irineu levantou agitado.
Odor impróprio invadiu a Instituição. Terrível situação.
Verena Niederberger, 68 anos, Rio de Janeiro – Brasil
Desafio nº 185 ― palavras com i

Roselia Bezerra ― desafio 185


Íamos pela orla, imaginando o que iríamos encontrar: interessantes paisagens belas. Indubitavelmente, um ímpar momento e, instigada pelo mar, íamos matutando e imaginando belezas. Nada ignoravámos, nossos olhos investigavam. Imaginem vocês que iriam connosco percorrendo ilhas daqui.
Intuição à parte, íamos anotando belezas para imitarmos uma ideia que um indígena nos partilhou.
Era idoso e ele um ídolo numa comunidade. Iniciava o dia com itens importantes e seu dia rendia. Não era sonho de Ícaro, ia realizando.
Roselia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 185 ― palavras com i

Chica ― desafio 185


Início de casamento. Ivete feliz!
Cada dia, ia ao instituto. Lá se enfeitava, inventava modas que Irineu elogiava.
Iam assim querendo inda mais ao outro irradiar alegria.
Mas infelizmente, ele mudou insuportavelmente
E, então, insistia em fazer dela, invariavelmente, sua serva.
Ione, sogra, vendo indignada a cena, resolveu investir num castigo.
ideia: um pouco de inseticida no prato instantes antes de a filha servir.
Imaginem a cena!
Irineu: casa com “piriri”.
Ione e filha: shopping IGUATEMI. 
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 185 ― palavras com i

Desafio nº 185


Vamos divertir-nos? Espero que sim!

A ideia é escrever um texto em que, a cada uma, duas ou três palavras, apareça uma começada por i.
Isso mesmo, hahahah.

Parti-me a rir com a minha tentativa:
Inês era tão irritante! Imensos colegas consideravam-na insuportável. Era mesmo. Inventava tantas intrigas! O chefe imediatamente acima dela ia para casa intrigado, ou pior, inaturável (a mulher ia-lhe batendo…). Imaginem que a Inês insinuou que o incrível colega do armazém iniciara uma greve às imensas encomendas para a Índia. Tudo falso, para impedir que o considerassem insubstituível. Informou depois a direção, imitando trejeitos de diva: iria procurar outro trabalho. Ia?!, pensaram todos. Que ignorante! Gritaram de felicidade.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 185 ― palavras com i


19/09/19

Vicente ― desafio 166

Elias Tolo feito parvo,
Ocasionou pedidos infelizes,
De forma livre em plena noite,
Desfecho irreal absurdo,
Na forma de amor,
Infértil pensamento desajeitado,
Fraco modo de agir sem ideia,
Elementar estrutura formada idealizada,
Na série de modo feito,
Inata conceção imaginária,
De um mundo por vir,
Concebido marginalmente hipoteticamente,
Na meta de todo o Homem,
Qualitativamente sonhado encantado,
Na beira do nosso filme,
Desleal corrida controversa,
Poder na mente firme,
Investida linguagem sobrenatural
No olhar louco, livre…  
Vicente, 21 anos, Alcobaça
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja

18/09/19

Fernanda Costa ― desafio 184

Que desventura! Alinhadas para a próxima fogueira. A nossa vida fora pautada por constante doação aos humanos. Contribuíamos para a sua felicidade. Estávamos destroçadas!
Um dia, o vento Norte limpou-nos a poeira. Ficámos limpinhas, a brilhar. 
Um marceneiro nem queria acreditar – tanta beleza desperdiçada?
Homem sensível, logo passou à ação – transformou-nos numa linda cómoda, verde-mar, dourada, espelhada.
Fomos oferecidas a uma brilhante senhora. Contribuíamos, diariamente, para melhorar a sua deslumbrante beleza.
A nossa felicidade era incontrolável. Éramos intemporais. 
Fernanda Costa, 57 anos, Alcobaça
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Filomena Galvão ― desafio 184

― Sinto-me triste, despedaçado, feito em bocados. Já pouco préstimo tenho.
Será que vou arder numa lareira? Será que vou ajudar a assar um bom peixe, um cabrito, para festejar o aniversário de alguém?
Sinto que pegam em mim. Para onde irei? Qual será o meu fim?
OHHH, só me levam a mim, os outros ficaram ainda naquele monte de lenha.
Estão a dar-me verniz, estou brilhante. Colocam-me agora macramé e uma planta. Deram-me vida! OHHH, que felicidade!
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Carla Silva ― desafio 181


Férias na Lapónia
Fazia dias que não via o sol. O que contribuía para o seu mau humor. 
Ela que adorava caminhar na areia recém molhada pelo mar via-se ali, em plena Lapónia, onde apenas tinha a sua leitura como companhia, já que o mau tempo não lhe permitia fazer um único amigo que fosse. 
Até sentia saudades dos folhados de carne picada que a tia-avó levava no farnel assim, como do creme de leite presente em todos os piqueniques.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena-Elvas
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Isabel Lopo ― desafio 184


Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Carlos Lopes ― desafio 32

Quarta-feira, onze, comecei as aulas novamente.
O local de apoio teve mudança.
Baralhado, procurei por todo o lado.
Entrei no local errado, todo entusiasmado.
No lugar da professora, estava uma égua, convidando-me para passear.
Definitivamente, esqueci-me logo do apoio pedagógico.
Não pude recusar, aceitei com agrado.
O passeio foi atribulado, saltei árvores.
Pensei não sobreviver, mas foi divertido.
Ela sabia o caminho, voltou calmamente.
Acabou-se a aventura, a égua aquietou-se.
Finalmente, encontrei a minha professora na varanda.
Carlos Lopes, 18 anos, Alcobaça
Desafio nº 32 – 11 frases se 6 palavras + o que resta

Beatriz H ― desafio RS 2

― Beatriz, emprestas-me a tua caneta? 
― Sim.
― Beatriz, emprestas-me a tua borracha? 
― Sim! 
Ai! Não consigo parar de dizer "sim" quando as pessoas me pedem algo.
― Será que sou demasiado simpática? - pensei eu.
Às vezes, parece que a palavra “sim” faz parte de mim, que sai automaticamente, dominando-me.
Tenho de largar o advérbio “sim”, tenho de deixar de ser tão amável. 
A partir de agora, vou deixar de responder sim!
― Querida Beatriz, queres vir comigo ao cinema? 
― Sim! 
Beatriz H.,  13 anos, Colégio Paulo VI - Gondomar, Raquel Almeida Silva 
Desafio Rádio Sim nº 2 – 7 vezes a palavra SIM

Mónica Marcos Celestino ― desafio 160


Aqueles verdes olhos fagulhentos
Com marcha fogosa ultrapassava
os mares maçadores
e sulcava fogueando as ondas fugidias
a procura daqueles verdes olhos fagul
hentos
que ao seu coração trouxeram
grandes pesares.

Ansiava apanhar per sempre aquele fugitivo olhar
que o feria qual fogo ardente.
E fugaz e sem rumo certo navega
va
desejando algum dia apagar
aquela terrível fogueira.

Ainda ligeiro prosseguia o seu caminho
em tanto perce
bia aquele fagulhar nas sombras,
que como
rápido foguete sempre no ar
fugia das suas mãos.
Mónica Marcos Celestino, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

17/09/19

António Azevedo ― desafio 32


Não bastava estar sempre a trabalhar!
Agora também não ia ao baile!
Sentindo-se abatida e infeliz, chorou amargamente.
Mas uma amiga bondosa veio consolá-la.
Conseguiu arranjar-lhe um meio de transporte.
E, do nada, surgiu um vestido.
Sempre ia à festa!
Dançou e dançou, até mais não.
Voltou para casa sem um sapato.
Ao aperceber-se pôs-se à sua procura.
Gostava tanto daqueles sapatos.
Após várias desilusões ali estava ele.
A busca terminara.
Agora era esperar pelo próximo baile.
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 32 – 11 frases se 6 palavras + o que resta

Domingos Correia ― desafio 184


Quem sabe!
Sabes, amigo, sinto-me como um condenado esperando no corredor da morte. E queria tanto viajar! Quando era árvore, falava com o vento e gostava. Contudo, sempre desejei correr mundo!…  mas ainda tenho esperança! No inverno, nossos companheiros sairão de cima de nós rumo à lareira…  chegada a minha vez, sendo eu pedaço de nogueira, quem sabe, alguém me transforme num belo guarda-jóias para oferecer a uma dama famosa, viajante!… Talvez, com sorte, viaje com ela… Quem sabe!...
Domingos Correia, 61 anos, Amarante
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

15/09/19

Isabel Lopo ― desafio 184

Éramos o orgulho do velho Pinheiro solitário, único sobrevivente do grande incêndio. Até que chegou o patrão com o lenhador. “É este”, disse apontando para mim. Fui levado e enfeitado pelas crianças com bolas coloridas como se fosse palhaço... Mas gabavam-me tanto que acabei por gostar. Agora aqui estou feito toro no meio dos outros. Tivesse eu sido outra árvore e talvez a minha vida fosse diferente. Será que a dos homens também é assim, tão injusta?
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Helena Rosinha ― desafio 184


Não deixa de ser irónico encontrar-me aqui, um entre tantos outros, diferente na cor, tamanho, estilo. Ouço-os, saudosistas, rememorarem tempos antigos; cheios de si, vangloriam-se dos seus feitos. Não entendem que esse tempo acabou e persistem.
Deixo-os falar, em breve até isso perderão. Aproxima-se o fim a que nos destinaram. Qual será o meu? Não será certamente a lareira duma casa abastada, mas a fogueira num barraco de miséria, que também a lenha se divide em classes.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Inês M ― desafio 23

“Hoje vou cozinhar leitão: tenho de tirar a rolha do fogão antes que queime o chão; também não posso esquecer o almofariz. Tanta coisa para fazer num dia feliz, espero bem que os meus filhos tenham acordado com o despertador.
Quando tinha dez anos gostava de brincar com o meu cão e uma bola de ténis; também já fui picada por uma vespa e gostava muito de fazer poemas, que não é só escrever tolices num papel!”
Inês M, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel