31 outubro 2018

Diário 77 ― 110 ― Adília Texto

Adília
Adília Pôs-se Onde, Tinha Esperança, Reuniria Associados.
Ainda Poderia Obter, Talvez, Esses Renegados Azarados.
Adiantou Propostas Obtusas, Tendo Enredado Realmente Alguns.
Agora, Proferia O Tremendo Esquema Reabilitador Apoteoticamente.
As Pessoas Ouviram Tudo E Reagiram, Alarmadas.
Afinal, Para Obter Tanto Eleitor, Regurgitara Aldrabices!
Ah, Pensava Orlando, Tinha-a Enleado, Ria, Ausente.
Adília Pensava-se O Terror Em Ravina, Alucinada.
Após Palavras Onde Todos Evidenciavam Revolta, Alarmou-se.
Até Protelou Outra Tentativa, Era Realmente Assustador.
Adiou Profecias Oníricas, Tentando Enfim Recuperar Amigos…
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 153 ― frases com APOTERA
OUVIR

30 outubro 2018

Oleksandr K ― desafio RS 17


Num regime comunista, vivia Ludmila Faneca, filha de uma bonita peixeira, que usava muito a palavra «estafermo», mesmo quando não era necessário, e dum querido pescador que vendia cimento no seu tempo livre, comércio ilegal no seu país. Ludmila tinha o desejo de fugir a essa vida. Ela não se via como peixeira, antes tinha o sonho de fazer unhas. Então, um dia, o seu desejo realizou-se, quando encontrou uma lamparina mágica que lhe concedeu três desejos.
Oleksandr Kobelyuk, 17 anos, Esc. Sec. José Saramago – Mafra, prof Teresa Simões
Desafio RS nº 17 – Ludmila Faneca

Marta Sousa ― desafio 94


Vi um clarão tão forte e vi um anjo, senti uma paz enorme… todo o meu ser se iluminou. No entanto, logo a seguir vi uma porta a bater fechando toda a luz e o estrondo assustou-me. Acordei a ver olhos ansiosos a observarem-me e a dizer que acordei de um coma. Foi tudo um sonho, uma ilusão. Quase tive pena, porque ver um anjo tão acolhedor e cheio de carinho dava mesmo vontade de ficar lá…
Marta Sousa, 32 anos, Barreiro
Desafio nº 94 – com clarãoporta a bater ilusão

Rosário P. Rbieiro ― desafio 145


Sonhei que a noite dos meus dias começou quando o teu nome acabou, levando agarradas as memórias de tantos tempos vividos nos meus abraços. Sonhei também que os meus olhos passaram a olhar sem ver, que as palavras ditas ficaram sem nada por dentro, e que a minha voz se perdeu no eco. Acho que neste sonho negro o tempo se escoou contigo, e me deixou sem nada. Quando acordei, o teu silêncio estava ali. Tu não.
Rosário P. Rbieiro, 61 anos, Lisboa
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Tomás F ― desafio RS 17

A Ludmila Faneca vive num regime estapafúrdio, tendo como pais peixeira e pescador.
Um dia, enquanto olhava para os pais a trabalhar, encontrou uma lamparina, não sendo o génio nenhum estafermo. Ele concedeu-lhe três desejos: que mudasse a sua vida, passando a concretizar o seu sonho – que era trabalhar com unhas –; pediu também que transformasse o cimento que se encontrava ao seu lado em muito verniz e que lhe mostrasse um ente querido que ficasse consigo.
Tomás F, 17 anos, Esc. Sec. José Saramago – Mafra, prof Teresa Simões 
Desafio RS nº 17 – Ludmila Faneca

Marta Sousa ― desafio 3


Dez motivos para estar zangada contigo:
1 ― eu vi-te com ela;
2 ― eu percebi que não quiseste vir ter comigo;
3 ― ela sorriu demasiado para ti;
4 ― tu podias ter dado uma desculpa;
5 ― e eu vi-te a beijá-la;
6 ― ouvi-te a falares mal de mim, mentiras;
7 ― como pudeste mentir assim?
8 ― o que me fizeste para continuar a gostar tanto de ti? 
9 e 10 ― é tão injusto! E não, não me digas que terminaste comigo!
Marta Sousa, 32 anos, Barreiro
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Mariana P ― desafio RS 17

Ludmila Faneca, filha de peixeira e pescador, seguia um regime alimentar restrito que não incluía peixe – dele, estava muito farta.
No barco, o pai, ao olhar para a lamparina no convés superior, lembrou-se das suas duas meninas, a luz da sua vida.
Ludmila era casada com o seu querido marido, mas, certo dia, ele manchou a carpete do salão de estética dela com cimento. Ela ficou estupefacta… «estafermo» foi a primeira palavra que lhe saiu da boca.
Mariana P, 17 anos, Esc. Sec. José Saramago – Mafra, prof Teresa Simões
Desafio RS nº 17 – Ludmila Faneca

Cristina Lameiras ― desafio 142


Horrores
Lucas manteve a promessa  e continuou voluntário.
O reinado de terror estava-lhe no pensamento.
Culpava-se da miséria , do sentimento de impunidade...
Médico, sobrevivente, encontrou um retiro para cuidar.
Separado por cortinados Ema gemia num catre.
Desesperado, frenético, agarrou na travessa com bisturis.
Ema foi esfaqueada, operou, retirou o rim.
Horrorizado, angustiado, devastado, chorou antes da limpeza.
Sentia-se culpado, traumatizado, a aparência era fantasmagórica.
A namorada atravessara o continente para ajudar.
Expressamente relembrou a magricelas, personalidade contagiante, Rezou ...
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra 
Desafio nº 142 ― 11 palavras para frases de 7

Melissa A ― desafio RS 17

Ludmila Faneca vivia num regime restrito, em torno da pesca, pois era isso que seu estafermo, mas querido, pai desejava. Contudo, um dia, quando Ludmila voltava dos seus recados, caminhando pelo duro cimento da avenida, viu, com a ajuda de uma grande lamparina que iluminava a rua, aquilo que se tornaria o seu sonho e maior conquista no mundo: um salão de unhas!
Assim, contra tudo e contra todos, Ludmila vingou no mundo do tratamento das unhas.
Melissa A, 17 anos, Esc. Sec. José Saramago – Mafra, prof Teresa Simões
Desafio RS nº 17 – Ludmila Faneca

Laura Mota ― desafio 152


Dormia de cabeça reclinada para baixo, triste pelo buraco que nele havia. Teve medo que assim para sempre fosse ficar, vazio, e começou a chorar. Da sua face lágrimas escorriam. Salgadas elas eram, e o fundo que há pouco o fogo cavara ia enchendo. É o que o fogo faz às vezes, cava, leva, mas não por mal. Durante muito tempo o sal arde, incha a ferida, mas, no entanto, foi assim que se fez o mar.
Laura Mota, 18 anos, Amadora
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Cristina Lameiras ― desafio 149


Enigma
Um grupo de turistas visitou Lisboa, cidade moderna, cosmopolita.
Adoraram as ruas, telhados e azulejos da capital, as suas histórias com pormenores suculentos.
O guia turístico fez publicidade, desafiou-os a visitar as planícies alentejanas.  
A excursão seguiu entre a fantasia e a realidade...
Alojaram-se numa estalagem rural, viveram a natureza, passearam por aldeias e povoações.
Ao regressarem encontraram um cadáver desleixado, murcho e ressequido.
Em sobressalto ficaram para o funeral.
Num ambiente repressivo o enigma tentaram resolver.
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra 
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Jorge Manuel Rodrigues ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. O amor não esperara por si. Ia ter uma vida desgraçada, cheia de solidão. Para onde partira ele? Poderia ainda encontrá-lo? Viveria em alguma mulher que encontraria ao longo da vida? Viveria em algum recanto da natureza? Ou em algum livro que viesse a ler?  Pensou: «Em jovens, negligenciamos o amor, por isso dificilmente somos pontuais.» Precisava de crescer, para que o amor esperasse por si – a vida é uma eterna aprendizagem do amor. 
Jorge Manuel Rodrigues, 60 anos, Santo Amaro de Oeiras
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Desafio nº 153

Vamos a um daqueles desafios em que vos vai apetecer pôr-me com dono. Preparados?
Serão tudo frases com sete palavras – 11 frases!
Mas sempre com esta ordem de letras de início de palavra:
A P O T E R A

Eu fiz à mão, com as letras já no papel, para não me perder, e a história resultou assim:
Adília Pôs-se Onde, Tinha Esperança, Reuniria Associados.
Ainda Poderia Obter, Talvez, Esses Renegados Azarados.
Adiantou Propostas Obtusas, Tendo Enredado Realmente Alguns.
Agora, Proferia O Tremendo Esquema Reabilitador Apoteoticamente.
As Pessoas Ouviram Tudo E Reagiram, Alarmadas.
Afinal, Para Obter Tanto Eleitor, Regurgitara Aldrabices!
Ah, Pensava Orlando, Tinha-a Enleado, Ria, Ausente.
Adília Pensava-se O Terror Em Ravina, Alucinada.
Após Palavras Onde Todos Evidenciavam Revolta, Alarmou-se.
Até Protelou Outra Tentativa, Era Realmente Assustador.
Adiou Profecias Oníricas, Tentando Enfim Recuperar Amigos…
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 153 ― frases com APOTERA

29 outubro 2018

Diário 77 ― 109 ― A gata

A gata
Não, escusas de insistir, não
solução, acabou-se.
Mal percebi
Que andavas assim,
Sempre com olhinhos de carneirinho parvo, percebei: não tenho paciência que
Dure o tempo suficiente para te aturar,
Nem quero ter de te partilhar com aquela bola de pelo.
Bem podes chorar, não me afeta. Quero
Que sejas muito feliz, ou coisa parecida,
Não quero é ficar a ver.
Se tiveres saudades minhas, chora. Talvez a estúpida gata
Acabe por te deixar em paz!
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto
OUVIR

Programas Rádio Sim - semana 29 outubro 2018


Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

28 outubro 2018

Francisca Reis ― desafio 152


A ferida era recente. Mal te via desatava a chorar. Quanto mais te ignorava mais aparecias e isso era bom porque te queria… quero…
Mas piorava… Cruzávamo-nos, eu ignorava-te. Ridícula.
Ridícula: eu por achar que seria diferente, tu por não perceberes a minha dor. Que parvoíce tentar gritar, não me ouvias… Talvez deva continuar a ignorar-te, talvez resulte se deixar as lágrimas correrem sem me conter, talvez resulte se o grito não morrer na minha boca. Talvez…
Francisca Reis, 17 anos, Cantanhede.
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

João R ― escritiva 12

Mais um ano de escola! Os meus amigos, as aulas, o estudo, as gritarias, os tpc, os recados, a cabeça no ar…ai, ai!
Nos intervalos, as crianças a brincar, nos telemóveis, a gritarem para verem quem tem razão. Ah!!! O futebol, quantas crianças não gostam desse desporto e discutem por causa disso e depois ficam de castigo por lutarem, e às vezes até vão para o G.I.E.
Os funcionários, alguns muito bonzinhos e outros não têm coração!
João R, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Natalina Marques – desafio 152


Debatia-se com a saudade, todos os dias, e as noites eram ofuscadas com o terror da solidão que lhe apertava a alma.
As feridas ainda abertas e inflamadas pelas lágrimas que ao caírem, queimavam-lhe as entranhas, sentia-se impotente perante tamanha dor que lhe sufocava o peito.
Desejava que o fim estivesse próximo, quem sabe, no outro lado, no paraíso encontrasse a paz e o descanso merecido e que a vida cruel lhe roubara um dia. Quem sabe.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Fernanda Branco - desafio 151

Olhei tristemente o velho funil, tombado aos pés do capote esfiado, ainda pendurado no gancho, ao lado do colete traçado, bordado a missanga. E vi a avó colocando num pratinho da minha infância, um belíssimo espargo verde com molho especial, perante o meu grito de alegria. E eu a trepar o perfumado limoeiro do quintal. Peças tão díspares, mas que fazem brotar em nós memórias que julgáramos desaparecidas em páginas amarelecidas do tempo, esta correntezinha de nostalgia.
Fernanda Branco, 73 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 151 ― palavras com espargo

Margarida F ― desafio 148


Que porcaria de pasta
da bisnaga cor-de-rosa,
Que não me serviu de nada.
Agora, os meus dentes
não estão nada contentes.
Estão com cáries.
Ontem à tarde,
fui ao dentista,
generalista.
Observou-me a boca, com muita calma,
com muito profissionalismo.
Disse que era dos doces e guloseimas.
Tenho comido muitos, em casa dos meus avós.
Eles estão cheios de rugas.
velhice  já chegou.
juventude já passou.
Devemos cuidar de nós,
para aproveitarmos melhor a vida.
Margarida F, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix 
Desafio nº 148 ― associação de palavras (bisnaga)

Amália da Mata e Silva ― desafio152


Sempre ouvira que: um homem não chora e era o que sempre tinha feito...
Mas, na quietude do seu quarto, deixava que as lágrimas viessem de mansinho e fossem aumentando e, as suas mágoas, parece que se iam esvaindo e tudo ficava mais claro. Sempre se lembrava de como, ao entrar no mar, se tinha uma uma pequena ferida, essa lhe ardia muito, mas, depois, sarava mais rápido. Agora teria outro lema: as lágrimas lavam-nos a alma.
Amália da Mata e Silva, 63 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Carla Silva ― desafio 151

Clotilde gritou de frustração e atirou o velho funil enquanto olhava para os tristes fios de ovos. Ficaram horríveis! 
Devia ter comprado 
missangas, seria mais simples. Mas ela insistira em fazer tudo o que ele gostava... Bolo com fios de ovos, omelete de espargos, por sinal caríssimos... 
Comprou o desejado 
capote e um  livro, ao qual ele irritantemente dobraria as páginas
Só esperava, para bem dele, que gostasse da surpresa ou ela 
treparia às paredes de raiva. 
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 151 ― palavras com espargo

Violeta Seixas – desafio 152


Pingava de amor por ela. Em gotas mal medidas. Soltava-se no seu regaço. Acordava às escuras para se sentir liberto. Ensopado, alagado. Escondia-se nas almofadas do desejo. Lavava tudo o que sentia. Era de ir e não voltar. Era de não suster. Enxugava o que tinha que enxugar. Menos o amor que lhe rolava pelas faces, húmido, quase quente. Sal na ferida já fria, pensava ele. E a mágoa a queimar, numa chama que não conseguia apagar.
Violeta Seixas, Lisboa
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Violeta Seixas – desafio 152


Pingava de amor por ela. Em gotas mal medidas. Soltava-se no seu regaço. Acordava às escuras para se sentir liberto. Ensopado, alagado. Escondia-se nas almofadas do desejo. Lavava tudo o que sentia. Era de ir e não voltar. Era de não suster. Enxugava o que tinha que enxugar. Menos o amor que lhe rolava pelas faces, húmido, quase quente. Sal na ferida já fria, pensava ele. E a mágoa a queimar, numa chama que não conseguia apagar.
Violeta Seixas, Lisboa
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Daniel S ― escritiva 12

No início daquele ano letivo, lembro-me que os professores chegavam sempre atrasados. Eu bem reclamava, mas não adiantava. Às vezes até levava reguadas na mão pelo atrevimento.
Fiquei farto da situação e fui queixar- me ao Diretor Jusemildo, mas ele despachou- me. Quando olhei para a parede do seu escritório vi um símbolo: ILLUMINATI. Fiquei aterrorizado! Então mudei de escola.
Ainda bem que mudei, pois dois dias depois a escola explodiu, numa guerra nuclear contra os ILLUMINATI.
Daniel S, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Elisabete Anastácio ― desafio 125


Parecia que tinha passado um autêntico tornado pelo jardim. Estacou, de olhos esbugalhados, mal abriu o portão. Ficou sem forças, as poucas que lhe restavam depois de mais um dia cheio. Tudo derrubado! Tanto vaso partido! E as suas preciosas flores! Arrancadas, partidas, despedaçadas! Que caos! Não podia acreditar. Deu um passo e... Zás! No chão, enleada nos ramos. Levantou-se, de joelhos esfolados, enquanto ouvia os berros da tia Zeza: “Realmente!!! É preciso gostar-se muito de gatos!”
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 125 – tornado no jardim

Helena Rosinha – desafio 152


Há feridas que sempre recordaremos; da infância, as esfoladelas nos joelhos, cotovelos em chaga - como chorávamos! As lágrimas rolavam, rasgando sulcos na sujidade do rosto… Crescemos e aprendemos a engoli-las, de orgulho ferido; respondemos ao fracasso, às frustrações, refugiando-nos na nossa concha, indiferentes a tudo, alheados das questões ambientais que ferem o planeta. Pois as lágrimas também rolam na Natureza, sujeita, como está, ao egoísmo do tal homo sapiens, que explora recursos, provoca guerras, polui, extingue habitats…
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Diana G ― escritiva 12

Este ano comecei com muita energia para estudar.
A minha escola chama-se Dr. Costa Matos e é uma escola espetacular!
Comecei a escola acordando cedo, tomar o pequeno-almoço e vestindo-me para vir.
Foi bom o regresso as aulas, porque reencontrei os meus amigos, professores e auxiliares. Os T.P.C. já vieram e é bom voltar a escrever.
Já tive paixões, tristezas, alegrias e até deceções. Também já tive novas amizades e já algumas perdi!
Vamos voltar com energia?
Diana G, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Elisabete Anastácio ― desafio 135


Lanterninhas coloridas pelo jardim fora! E um amor-perfeito! Lembraste-te! Que bom! E jantar à luz das velas! Bendito sejas! Tão bonito! Podias ter dito que tinhas feito tudo isto e que afinal eras um romântico! E se tens jeito para a coisa! Deixa lá provar! Está uma delícia! E ainda falta aqui o manuscrito!... Ganhaste ao chocolate! Ah! Ah! Ah! E que sentido de humor! Venha de lá esse beijinho! Homem, tu existes?
Ti-ti-ti-ti, ti-ti-ti-ti! Malvado despertador!  
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO

Cristina Lameiras ― desafio 150


Recordações
Aurora nasceu em Bragança e na reforma relembrou as suas memórias.
Com o rosto enrugado relembrou o seu cabelo flamejante,  sorriso envergonhado, a sua inocência e dignidade perdidas.
Na sua ingenuidade juvenil enlouqueceu de paixão, namoraram debaixo do céu estrelado, deram gargalhadas juntos.
Entretanto, viveu a chacota, vergonha e desilusão dado que as vizinhas mesquinhas sabiam-no casado e nada disseram.
Constrangida, trémula, abandonou a terra, recompôs-se e agarrou o Futuro.
Mulher sensível nunca se arrependeu do passado.
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra
Desafio nº 150 ― 6 palavras com GD

26 outubro 2018

Diário 77 ― 108 ― Partiu


Partiu
Estava numa aflição. Acabar-se assim o seu reinado parecia-lhe prematuro. Ficara tanto por fazer. Mas precisava de entrouxar os tarecos. Depressa se apercebeu de que não cabiam na maleta com que chegara. Decidiu-se por levar apenas as coisas boas que haviam acontecido. Foi preciso apertá-las, afinal eram mesmo muitas! Pôs-se a caminho. Cruzou-se com o Ano Novo que chegava. Já fora assim, pensou. Cumprimentaram-se e, num impulso, deu-lhe a mala. Pareceu-lhe a solução certa. Partiu, então, descansado.
Margarida Fonseca Santos
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano
OUVIR

25 outubro 2018

Paula Coelho Pais ― desafio 152


Nunca sentira uma dor assim. Ela partira e agora o mundo era um sítio desconhecido. Faltava-lhe a voz e o sorriso e as suas mãos perdiam-se no vazio da ausência. Sabia-a doente e imaginara tantas vezes como seria perdê-la. Assustado como num filme a que nunca tinha querido assistir até ao fim. Mas naquela madrugada, naquele corredor de hospital, as lágrimas tinham vindo abraça-lo, uma a uma, quase ternas, como se fossem a única hipótese de consolo.
Paula Coelho Pais, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio 152


Fogo Que Arde e Que se Vê
O gesto mecânico de Rosalice, ao pegar, displicente, a bata de florzinhas miúdas ao dependuro no costal da cadeira, denunciava o fraco ânimo que a minava. Sozinha estava desde a perda do único amor na estúpida guerra, mas ver-se agora sem metade da casa, reduto apaziguador que o fogo vivo indecorosamente gualdripara, plantava-se-lhe no peito a angústia inevitável, tornada contumaz companheira. 
À soleira da meia-casa de horizonte esfumado, sentia o ardor das lágrimas a avivar-lhe a ferida. 
Elisabeth Oliveira Janeiro, 74 anos, Lisboa
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

Jorge Manuel Rodrigues ― desafio 139

Talvez eu morra cedo, antes de ti.
Tu tens uma saúde de ferro, Maria.
Talvez, com sorte, passes dos noventa anos.
Tu sempre foste cuidadosa com a saúde.
Talvez nem sequer chegues a adoecer, Maria.
Tu desde pequena fazes muito exercício físico.
Talvez devesse ter seguido o teu exemplo.
Tu realmente és um exemplo a seguir.
Talvez mude de vida, pensando em ti.
Tu também tens uma alimentação muito saudável.
Talvez passes até dos cem anos, Maria.
Jorge Manuel Rodrigues, 60 anos, Santo Amaro de Oeiras
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

Jorge Manuel Rodrigues ― desafio 86


Chico Ardina toda a vida fora uma figura simpática, muito calorosa, com muito carisma, azafamada a distribuir jornais ao início do dia. Gritava alto: «O mundo dá os últimos suspiros! O mundo dá os últimos suspiros!» Acorriam curiosos, curiosas, compravam os jornais, procuravam uma razão para tais palavras. O mundo não acabava, afinal! Mas um dia não mais o ardina foi visto, o grito faltava nas ruas, um mundo antigo ruiu - as notícias vinham por computador.
Jorge Manuel Rodrigues, 60 anos, Santo Amaro de Oeiras
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Cristina Lameiras ― desafio 137


Engano
Antero puxou do isqueiro e fumou um cigarro... 
Estava a ganhar coragem para tocar à campainha da mansão.
Rosa era a sua pérola preciosa, franzina, esbelta e ágil. Adorava a sua magia encantadora, sorriso subtil e sensual.
Cheio de ilusões aguardou à porta e carinhosamente ofereceu-lhe chocolates.
Ela, com os seus belos olhos perscrutadores desdenhou do presente. Com uma aparência irascível, foi grosseira.
Incrédulo, percebeu que o enganara impiedosamente.
Era uma impostora fascinante.
Sussurrou para si: BURRO!
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro