31/10/19

Apoio às escolas: set/out 2019

É verdade, já existe material para ir preparando o arranque do ano.

Está AQUI, na Página de Apoio às Escolas, das Histórias em 77 Palavras, para os professores que queriam usar esta ferramenta - vale a pena!

11/10/19

Graça Pinto ― desafio 187

― Boas; Sr. Joselino?
― Sim senhor. Porquê?
― Deambulo nestas bandas apresentando algo que precisam urgentemente. Este é um protótipo da nossa amiga Dolly, primeira ovelha clonada no mundo. Foram-lhe ensinadas técnicas de defesa, porque a ovelha é um animal dependente, não sabe defender-se. Não haverá ataques de lobos que resistam à nossa Dolly, que ao mesmo tempo ensinará a técnica às vossas ovelhas.
Joselino olhou o homem, esfregou a cabeça respondendo:
― Você deve estar a mancar comigo. Só pode!
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Manuela F e Iúri D ― desafio 187

― Muito chique, para andar nestes terrenos!
― Trago-lhe novas propostas empreendedoras.
― Olhe, não entendi o que disse.
― Ah, está bem, está bem…  
― Eu não sou muito esperto em palavras!
―  Olhe, Joselino, trago-lhe uma nova tecnologia, para facilitar o seu trabalho de pastor.
― Diga!!!
― Tenho um sistema de vídeo que serve para vigiar o seu gado, para poder fazer outras coisas, em vez de estar a olhar para ele.
― Tenha paciência, sou um pastor antigo, guio-me pelo Sol.
Manuela Ferreira e Iúri Dias, 15 e  16 anos, Alcobaça 
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Beatriz F e Tiago B ― desafio 187

― Ai, uma porca!
― Só tens a ganhar. Vendes os leitões e ficas rico.
― Ser rico, sim senhor, mas não me entristeço por ser pobre.  
― Joselino, sabes o que é ser rico?
― Não, nunca fui!
― Pensa melhor, uma porca era uma grande  fonte de riqueza.
― Eu tenho um rebanho de ovelhas, e não combinam com suínos.
― Tu lá sabes! Ofereço-te a porca e venho cá buscá-la pelo Natal.
― Olha este Manjerico, sou pastor, mas não me esbanjo em Amor.
Beatriz Fonseca e Tiago Bento, 17 e 16 anos, Alcobaça
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Judite ― desafio 163

Assustadoramente magoada pela ausência de reconhecimento, Rita olhava-os como traidores. Tentara impressionar Joaquim, emitindo pareceres divinatórios que, ocasionalmente, iam resultando, contudo o amado, manifestava-se indiferente, até emitia pareceres irónicos, devastadores, ferindo-lhe o peito.
Uma anormal! ― retorquia ―, incentivar nadadores que nem conhece!
Rita tinha-os no coração, apenas pretendia aliá-los ao romance.
Almejou obter conhecimentos sobrenaturais. Nada melhorou. Continuou a ser ridicularizada ― Joaquim apaixonou-se pela amiga.
Agora, somente Deus domina os seus pensamentos, sentindo o coração preenchido, em plenitude.
Judite, 27 anos, Santarém 
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

Natalina Marques ― desafio 187

― Bom dia ti Joselino.
― Bô dia, qué que bomecê quer, coisa boa nã é.
― Ando a vender uns terrenos em Marte.
― Marte; onde fica essa coisa?
― sso, não sei, mas sei que não tem poluição, e não se paga impostos de nada..
― Posso levar as minhas ovelhas?
― As ovelhas, o cão, o gato, o periquito, tudo.
― Está bem, convenceu-me a fazer negócio. E vinho tem lá vinho?
― Não, isso não tem
― Atão nã há negócio pra niguém.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Fernando Morgado ― desafio 187

Olá Joselino, posso falar com as suas ovelhas?
Ó homem não me roube o sossego qu’elas estão mesmo sossegaditas
Ah, Joselino, pois é pra lhes dar mais sossego.
Vossemecê não vê q’as bichanitas não falam!?
Então? Mas ouvem! Pra falar está você.
O que lhe digo, homem?
Elas precisam usar óculos de sol, coitadas.
Não é que você é maluco!?
Óculos verdes para as enganar, está a ver?
Pois… verdes… traga aí uns 20 pares, e uns pra si.
Fernando Morgado, 64 anos, Porto
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Filomena Galvão ― desafio 187


― Olhe lá, amigo Joselino, você está aqui pasmado, porque não ganha dinheiro enquanto elas pastam?
― Atão como é qu’eu faço?
― Aqui com o telemóvel tira fotografias e escreve num caderninho. Depois, cria um blogue no computador, posta as fotos, fala da sua vida, da……
― Um blog, o qu’é isso? O que é qu’ê faço às postas?
― Ó homem, um bloque é uma página na internet.
― Qu’absurdo! Eu cá nã tenho tempo para isso. 
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

Mónica Marcos Celestino ― desafio 186

O desengonçado marino
Com pungente angústia amaldiçoava
o desengonçado marino
as rebeldes ondas
que o engolir queriam.

Qual humildes bengalas
vergavam-se os mastros
às vingativas vagas feiticeiras
com chilreante gemido esgasgado.

O destecido velame
nas enganosas águas baloiçava,
como engraçada moça
de alvacentas fraldas engalanada.

Sonhando com longínquas terras
de caldas praias
o rumo proseguia
sem ninguém o deter.

Com dengoso passo
baldava os mares maldispostos
e, qual intrépido soldado,
aos ventos enganava.

Ingénuo, pretendia
arribar a seu destino.
Mónica Marcos Celestino, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

Chica ― desafio 187


― Joselino! 
― Bom dia, José!
― Vim oferecer algo raro!
― Fala, fiquei curioso!
― Pinico com fundo espelhado.
― Ora! 
― Ficarás satisfeito.
― Como? 
― À noite, com o pinico: não precisarás atravessar o longo corredor... Ao acordar, espelho.
― Achas mesmo que é bom?
― Sim, além disso, poderás fazer teste de tua lucidez.
― Como?
― Se tentares te espelhar com ele cheio, saberás que tua memória e lucidez não estão boas! E então? Aceitas? Vais arrasar, o único na paróquia a ter um deles!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

10/10/19

Desafio nº 187

Num texto com, imagine-se!, 77 palavras, vamos tentar convencer 
o nosso amigo e pastor Joselino a comprar algo absurdo, 
como um telemóvel, ou um acordeão, ou uma máquina de panquecas, inventem!

Será em diálogo, entre nós e Joselino, sem intervenções do narrador.

(cuidado nas contagens: um hífen/travessão pode baralhar as contagens, usem o dedo!)

Eu diverti-me com isto…
― Amigo, isso é um disparate!
― Como assim, Joselino?! Passava mais depressa o tempo.
― Mas quem é que lhe disse, hã, que o meu tempo custa a passar?
― Ó homem, deve ser uma seca estar aqui a olhar para as ovelhas.
― Pois está vossemecê muito enganado. Gosto muito de ser pastor. Pergunte-lhes.
― Como se as ovelhas falassem…
― Falam, pois. E um acordeão faz muito barulho, dava-me cabo do rebanho… Tenha juízo. E cale-se, que me cansa as ovelhas.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

09/10/19

Fernando Morgado ― desafio 186

Vi-o de novo numa paragem de autocarro. Conheci aquele dengoso soldado numa sala de bingo, num jogo de manguitos entre os nossos olhares.
O aldeão chunga, Ângelo Ronaldo de seu nome – escreveu-o numa nota de cem euros –, pensava-me em saldos ou em gaiola de engate quando se atreveu a dirigir-me piropos escaldantes e lascivas expressões de prazer.
Saiu-se mal o maldito homem; devolvi-lhe a nota depois de ter ido ao sanitário.
Ângelo Ronaldo corou de vergonha!    
Fernando Morgado, 64 nos, Porto
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

Fernando Morgado ― desafio 184

Falta-vos o tronco para aguentar o vento, tão fortes vos mostrastes quando me viram a rebolar montanha abaixo corrido pelo ar gélido da noite.
Toros reles, é o que sois!
Venho de outra linhagem, sou de uma madeira com pedigree, sabem lá vocês o que é uma mesa pé de galo em casa de reza!
Vá, suporto-vos pela protecção que me dão, e só isso me faz estar aqui esta noite. Nunca serei serradura em chão nojento. 
Fernando Morgado, 64 nos, Porto
Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

Entrevista para o Júlia.pt

Falei do último livro, de outros, mas também deste blogue maravilhosa, das Histórias em 77 Palavras.
Podem ler tudo AQUI

Helena Rosinha ― desafio 100


Espreito o carteiro diariamente. Ele vem, toca campainhas, bate às portas, distribui alegrias, tragédias... “Não há nada para mim?”, grito-lhe, da janela. Meneia a cabeça e desanda, sacola ao ombro. Inconformada, ouço os comentários jocosos das vizinhas, “Olha, aquela também quer correspondência!"
Sofri longamente, silenciosamente, a dor do abandono. Hoje, indiferente a remetente ou destinatário, o carteiro depôs nas minhas mãos as palavras que sou. Hoje é o meu aniversário e foi por isso que me escrevi. 
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

Leonor P ― desafio 181


Num belo dia de sol resolvi vestir o meu vestido da cor da areia e do azul do mar. Saí para o jardim onde comecei a leitura de um livro sobre um amigo que tinha um cão guloso, que foi picado por uma abelha, quando resolveu comer o farnel do seu dono.          
O livro era muito interessante, mas resolvi descansar e fazer um lanche muito saboroso. Então fui comprar uma bola de Berlim cheia de creme Nutella.
Leonor P, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Tomás F ― desafio 181

Num dia com um sol magnífico, apreciava a vista do extenso areal e do mar, enquanto lia um livro do Harry  Potter com o meu melhor amigo. Quando anoiteceu, eu e o meu amigo fomos para casa, mas ao chegarmos lá, fui picado por uma abelha. Para me sentir melhor, comi um farnel delicioso composto por pão com manteiga e leite  achocolatado para acompanhar. Já mais compostinho, pus creme para picadas de insetos, pois tinha muita comichão. 
Tomás F, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Francisco M ― desafio 181

Enquanto andava, olhei para o sol. Pensei logo em fazer um piquenique, mas como havia muita areia no chão, pus uma toalha. Peguei num copo de água, quando olhei para ele lembrei me do mar, deixei o copo ao meu lado e comecei a ler a história que o meu amigo me recomendou, e nem reparei que foi picado! Quando ia comer o meu farnel, estava ele todo esburacado!
Fui para casa, passei um creme e adormeci.
Francisco M, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Salomé V ― desafio 181

Olá, meu nome é Júlia e vou apresentar o meu quarto. O meu quarto é luminoso como o sol, o tapete macio igual à areia e um mar de peluches bem fofinhos. Tenho um canto de leitura onde eu e meu amigo lemos histórias. Tenho uma melga de estimação, chamada Rogéria Picada. Escondida, tinha uma sandes de ovo como farnel, mas já a comi. Todas as noites passo um creme muito cheiroso, depois durmo sossegada.
Sonhos cor-de-rosa!
Salomé V, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix 
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Rodrigo Q ― desafio 181

Era uma vez um menino muito sorridente, que um dia perdeu esse sorriso; ele estava tão triste que nem conseguia chorar.
Do nada, cai uma pena do céu, só que não era uma pena qualquer, era uma pena mágica: só concretizava um sonho, mas esse sonho tinha de ser muito especial!
O rapazito sorridente pensou: "Como a minha casa ardeu, a única opção é salvar a casa!”
E a casa não pegou fogo graças a ele.
Rodrigo Q, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

07/10/19

Carla Silva ― desafio 176

Desabafo
Aparício acariciou a cabeça do burro.
― Outra vez croquetes! Acreditas nisto, búzio
Acaso serei o único a reparar que é a quarta vez esta semana?
Passa os dias a limar aquele velho quadrado e esquece as suas obrigações. Mas um dia faço uma fita! Ah faço. Podes acreditar. Daquelas dignas de cinema. No princípio até compreendia, afinal aquela coisa era da mãe. E como estava calor bastava juntar uma saladinha e pronto. Mas bolas! Estamos no inverno.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena
Desafio nº 176 ― 8 palavras em sequência

Paula Castanheira ― desafio 186


Semáforo me chamaram. Tenho muitos irmãos gémeos.
Osvaldo, operário maldispostosoldou-me à pressa e embalou-se sem esmero.
Abandonaram numa rotunda de Lisboa. Que angústia!
Programaram-me! Verde, amarelo, vermelho. Debalde protestei.
Obedecem-me mas… uns dias escaldam-me os metais com tanto sol, noutros, congelo da geada.
Não ficam sem resposta!
Vingo-me de tanta maldade.
Desato a acender e a apagar sem controlo. Desligam-me!
E que engraçado é ouvi-los buzinar. Longas filas, insultos.
Ainda sonho ser canguru, para saltar. Livre…
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

06/10/19

Mónica Marcos Celestino ― desafio 183

A rua Laura
Um lôbrego silêncio invadia,
come a grama amarga,
a rua Laura,
outrora cheia de vida.

A pouco, pouco, languesciam
nos seus desbranqueados casarios
os mornos tristes sons
de pretas saias revestidos.

Sonolenta, taciturna e calada,
bocejava ao raiar o dia,
deixando na alma surpreendida
o seu cheiro da saudade.

Uma calma quietude lá vivia
qual se o tempo
quisesse, com afã, reter
à luz azul da madrugada.

Quem, ó rua Laura,
o teu mistério
não irá reviver?
Mónica Marcos Celestino
, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

João Afonso B ― desafio 34

A professora Vera PASSOU FRASES SIMPLES para o quadro e mandou-nos contá-las. Todos começaram a CONTAR ao mesmo tempo e ela teve de RALHAR:
― ESQUEÇAM, estão todos a ATRAPALHAR! Hoje estou pouco PACIENTE! Eu ACONSELHO-VOS a PROCURAR frases noutros SÍTIOS, em qualquer ESQUINA, em qualquer lado...
Os alunos encolheram os OMBROS e pensaram:
― Por que é que isto ACONTECE CONNOSCO?
A professora continuou a falar:
― Este ano vou CONSOLAR-ME de explicar, nem umas simples frases sabem contar! 
João Afonso B, 9 anos, Paços de Ferreira, prof. Joana Pinto 
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias

Micaela Cosme ― desafio 174

Olho-me ao espelho e deparo-me contigo. O medo invade-me.
Quem és tu? – eu queria ignorar-te , mas conheço-te bem.
És como um conto de fadas, nunca desapareces, és eterno!
No pé, deixaste-me uma vírgula – nunca mais me deixou adormecer, sem nela pensar.
Com as palavras, descobri um alfabeto que não queria. Com os teus sorrisos, levaste-me a pensar que sorrir nem sempre é pura alegria.
Aprendi a enfrentar-te e cresci contigo, hoje acompanhas-me e eu chamo-te de amigo.
Micaela Cosme, 17 anos, Alcobaça
Desafio nº 174 ― história de Bullying

Theo De Bakkere ― desafio 186

Uma noz dura
O passeante assustou-se, alguma coisa passava rente a ele e caiu com um estrondo no alcatrão. Não se enganou, ninguém o ameaçava. Só uma gralha, ladrando como um buldogue maldisposto, chamava a atenção.
Embora o pássaro ingénuo parecesse fazer um ato agressivo, apenas tentava abrir engenhosamente uma noz com a ajuda da gravidade.
Porém ficava um trabalho baldado, o maldito gringo, pouco humilde, achava engraçado baldar ingestão da fruta pelo espertalhão alado e comeu-a ele próprio.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

04/10/19

Ana Rita Nápoles ― desafio 186


Num Domingo de Outubro, um humilde soldado apareceu.
Vinha à procura do velho Ângelo cangalheiro, que com uma congestão faleceu.
Não se fala de outra coisa, no café da aldeia, debaixo do toldo os velhotes sentados falam da vida alheia.
Ainda há pouco andava de fraldas.
Um belo rapaz se tornou, frequentou a faculdade e em doutor se formou.
É neto da Angélica, vem de bengala na mão, é melhor acabar a conversa para não haver confusão.
Ana Rita Nápoles, 35 anos, Torres Vedras  
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

03/10/19

José Valente ― desafio 156

O asseio do estábulo era uma emergência, o cheiro nauseabundo vagueava na quinta. Ninguém entrava, Benfeita defendia-o energicamente, mostrando-se agressiva e teimosa.
Luzia, ativa e destemida, engendrou um esquema. A vaca ficava atada até à higienização.
Ninguém imaginava, mas a rede ganhou asas. Benfeita voava alegremente na quinta. Rostos aterrorizados divagavam nos arredores.
Luzia, corajosa, deixou o curral num brinco. Benfeita, onde estaria? ― banhava-se no rio.
Contrariada, lá veio ― muito lavadinha. Feliz e amistosa, mugindo com alegria.
José Valente, 20 anos, Alcobaça
Desafio nº 156 – hist de animais sem P

Vicente ― desafio 163

ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO está abaixo do nosso pensamento, mas acima do sentimento. O esterno que é o protetor do sentimento, mas não da reflexão. Cesto é o efeito que traduz o suporte da idealização, concedendo-lhe direito de assistência à liberdade de pensamento no caminho definido. É real toda esta magia biológica que transporta para o espiritual, numa maré de meditação, fonte de sabedoria e conexão com o universo. Mistério de pureza inconsciente, desbravando a nossa plenitude ligando-nos à luz.
Vicente, 21 anos, Alcobaça
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

Alexandra T ― desafio 133


Eu caí. Caí de pé. Porém, os meus pés não estão assentes no chão. A minha mente não sabe onde estou. Num monte de silvas, alvitra.
Questiono-me como vim aqui parar, mas a minha consciência está distante, perdida no tempo. Deixo-me levar pelo furor. Corpo e Mente dissolvem-se pelo passado.
A aflição dos remorsos assemelha-se à dos espinhos.
Penso numa saída. Desvio o passado, flutuo pelo presente.
Por fim, os meus pés assentam no chão, sem silvas. 
Alexandra T., 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar - Professora Raquel Almeida Silva
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

02/10/19

Natalina Marques ― desafio 186

Morena de ANGola, deNGosa e atrevida, amaLDiçoava o destino. O seu MaLDonado, eNGenheiro de profissão, fora escolhido, para fiscalizar uma obra em BeNGuela. Naquela noite ficou sem saLDo no telemóvel, eNGasgou-se com o caLDo de couves, e por cima, perdeu o avião devido à greve dos coNGressistas. Pobre ALDina, que mais lhe acontecerá.
Adormeceu, esperançada de melhores notícias.
No dia seguinte, lê incrédula no jornal do dia, o casamento do seu MaLDonado com uma tal de ELDra.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

Helena Rosinha ― desafio 186


A venda era o retiro dos velhos da aldeiacongregação dos humildes, reduto dos desvalidos. Ali, com broa e caldo enganavam estômago e cangalheiros, mas só a jeropiga lhes aquecia o ânimo e espevitava a língua para o desfiar de estórias que a pátina do tempo emoldurara. Ao domingo, precedido pelo toc-toc da bengala, juntava-se-lhes o boticário, sujeito bonacheirão. Então, a alquimia acontecia. Angústias afogadas, rebeldias amansadas, transmutavam-se as quezílias em lealdade e as dificuldades em esperança.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

Judite ― desafio 163


Amorosamente adornada, abandonara devotamente a escuridão nublada, que ficara oculta pelos montes, e entrara num banco de intenso nevoeiro, sempre apetecivelmente misterioso. Teresa encontrara a luminosidade divina nas gotículas translúcidas daquele mar sublimado. Somente, seres alados inventavam palavras, em noites silenciosas ― sempre percetíveis. Eram mentes ternurentas que apenas Teresa ouvia. Comovia-se, iluminava-se, agradecia. Doava o eterno encanto àqueles que encontrava pelo caminho ― todos lhe agradeciam. Uma rosa multicolor emitia aromas delicados, envolvendo o ambiente em reflexos paradisíacos.
Judite, 27 anos, Santarém 
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

01/10/19

Filomena Galvão ― desafio 186


Filomena Galvão,58 anos, Corroios
Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

Carla Silva ― desafio 178


Ana
Ao ouvir os passos aproximarem-se depressa guardou rapidamente o papel no bolso
― Ainda bem que reconsideraste. Aquela rapariga...
― Não é flor que se cheire. 
Tomé terminou a frase pela tia, era a quarta vez que ouvia aquilo
Sabia que Ana lhe recordava a mãe dele que há muito tempo fugira deixando-a com o sobrinho bebé.
Mas Ana não era a sua mãe! Esboçou uma frase mas não chegou a dizê-la.
O tempo iria provar-lhe que estava errada.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 178 ― 3 frases para usar no texto

Mónica Marcos Celestino ― desafio 185


O IAGO MAR
Praias idílicas e ignotas
de irisados corais iluminadas,
ó iluso marino, ias procurar.

Impedir pretendia, incansável,
o iago mar irritado
aquele incessante desejo insatisfeito.

Nas irrequietas vagas irosas
com iracunda violência impelia-te
às inclemências daquela imensidão cativa.

Inebriar queria, infatigável,
aquela invasiva ambição irreprimida
o iago mar indignado.

Mas, indómito e imarcescível,
o incerto rumo iludias,
ó intrépido marino.

Impetuoso o iate tu o impulsavas
combatendo impertérrito o inimigo.
E, incólume, aplacar irias
ao iago mar irado.
Mónica Marcos Celestino, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 185 ― palavras com i

António Azevedo ― desafio 33


Estava mesmo doente. Adiou, o mais possível, a ida ao médico.
Raramente ia ao médico desde a aposentação do Dr. Almeida.
Que saudades do seu médico de sempre.
Antes, doenças à parte, ir ao médico era como visitar um amigo.
Na auscultação lá vinha o brincalhão: “Diga 33!”
Suspirou. Lá teria de marcar uma consulta.
O problema é que não se sentia à vontade com o médico novo.
Não era falta de competência. Era falta de empatia.
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33