30/06/20

Margarida Fonseca Santos ― desafio 212


Um milagre guardado na esperança, foi assim que te senti quando chegaste, sorrateiro, e te instalaste no meu viver dorido, me ofereceste a tua amizade, o teu tempo para podermos perder-nos em conversas, num andar de segundos parado, vendo desfilar interesses comuns, sonhos partilhados, apaziguando mágoas que trazia dentro, crescendo então em nós a certeza da ausência de fim do que somos, mesmo se um dia apartados, nesses tão breves instantes entre a vida e o reencontro.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

Fernanda Malhão ― desafio 43

O avô observava de longe a neta. A menina ajudava uma senhora que deixara cair tudo o que transportava com dificuldade. Aquele gesto comoveu o velho homem, olhando-a nos olhos disse-lhe que uma boa ação era como gota de água que cai na superfície de um lago, parece algo pequeno e sem importância, mas o seu poder espalha ondas do bem à sua volta a uma distância que dificilmente conseguiremos medir. Nunca mais esqueceu aquela bela lição.
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Chica ― desafio 212

Ela esperou muito para se alimentar normalmente após grave doença a que foi acometida, em necrose intestino e cirurgia de retirada de cinquenta centímetros dele. Tempos difíceis aqueles. 
Sonhava em comer menarosto que acontecia no salão Capelinha de S. João, na noite de S. João, aniversário também do pai, que no nome tinha João. 
Contrariou médicos e, mesmo com hemorragias foi, comeu o desejado prato. 
Naquela noite, a doença se foi. Aconteceu um milagre guardado na esperança.
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

Rosélia Bezerra ― desafio 212


Um milagre guardado na esperança...
Confirma que se antecipará a bonança,
Espero na certeza do poder da ciência,
Não devo esmorecer, sem elegância.

Esperança, fonte de vida.

Às apalpadelas, em visões embaçadas,
Enchendo-me de coragem, fé sinceras,
Espero na convicção da temperança,
Não devo sucumbir, sem perseverança.

Esperança, força na lida.

Pelos vales verdes e campos cerrados,
Na imaginação, refrescantes e floridos,
Espero soluções imediatas que surgirão,
Não devo contristar meu pobre coração.

Esperança, firmeza de espírito.
Rosélia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

Celeste Bexiga ― desafio 18

Corri o RISCO de não passar no exame de DESENHO.
Correu tudo bem.
Sempre fiz bonecos nas aulas, passava o tempo a CRIAR as mais variadas coisas, janelas, carros, casas, sim, o que mais gostava era de casas.
Com o passar do tempo, tive a certeza que queria ser ARQUITECTO.
RÉGUAS sempre gostei delas, ajudavam-me no trabalho, apesar de me lembrarem as reguadas da primária.
As CANETAS eram de todas as cores, os LÁPIS também.
Sonho concretizado.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
Desafio nº 203 risco + 6 palavras

Fernanda Malhão ― 42


Tinha sido um dia muito difícil, trazia nos ombros cansaço e desânimo, cada passo era uma superação. Ao chegar em casa, toca o seu telemóvel. Quando atendeu, logo um sorriso apareceu no seu rosto, o seu semblante ganhava cor, a seguir umas boas gargalhadas atiraram o peso que tinha nos ombros para o chão e aquela voz amiga do outro lado do telefone despediu-se a recomendar: AMANHÃ SERÁ UM NOVO DIA, TU PODES DEFINIR O RUMO LEVE!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 42 – frase com 5A, 5E, 5O, 3I e 3U, que dá o mote

Celeste Bexiga ― desafio 18

Avó
Com extrema tristeza, minha avó muito amada foi embora.
Chorei aquela velhinha....
Olhos azuis, bolsos cheios de rebuçados, para ela, e para as crianças.
Amava-me com ternura.
Pequenina, vestida de preto, como é hábito no Alentejo.
Os olhos brilhantes, faziam esquecer o preto da roupa.
O avô Zé, forreta.
Espertíssima fazia tudo como queria.
As vizinhas vinham pedir-lhe qualquer coisa, piscava o olho ― venham mais logo! ― elas sabiam que o avô Zé tinha chegado.
Saudade avó.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

Desafio nº 212

Voltemos aos livros.

Hoje, deixo-vos uma frase que terá de aparecer no início ou no fim do texto:

(Contos de Cães e Maus Lobos, Valter Hugo Mãe) 


Eu fiz assim:
Rosário P. Ribeiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

28/06/20

Elsa Alves ― desafio 35

TENHO OS SINTOMAS TODOS:
medo dos outros e de mim,
especialmente.
Pelo menos, às vezes...
(vá lá, que não é sempre,
seria bem pior...).
Mas, por outro lado,
estranhamente,
preciso deles:
dos outros.
Só sou eu com eles...
(estranho, não é?
ou, talvez, não...).
Não me julguem sonhadora
ou até demente.
Defendo-me
da violência
apenas,
com as armas que tenho
ao meu dispôr.
Não hei-de deixar que
nenhuma dor
me impeça de viver.
Afinal
HABITO NA POSSIBILIDADE...
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira 
Versos de Ana Luísa Amaral e Emily Dickinson
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Fernanda Malhão ― desafio 41


Devorava aqueles capítulos, saboreava cada detalhe do cenário, passavam na sua imaginação como uma câmara a filmar e a fazer zoom em cada pormenor. Conseguia ver todos movimentos delicados da personagem a fabricar os seus chocolates, sentia o perfume do chocolate derretido, chegava até a salivar como se estivesse a degustá-los. Criava uma enorme intimidade com as personagens, emocionava-se, ria-se, zangava-se. Sobretudo sentia-se inspirada a pôr também intenção nos seus cozinhados, a temperar mais a sua vida!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar 
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Elsa Alves ― desafio 34

“Em FRASES SIMPLES podes facilmente, CONTAR tudo aquilo que desejas. ACONSELHO-te, vivamente, a que PASSES a fazê-lo. ESQUECE textos complicados. PROCURA escrever em linguagem chã, sem te ATRAPALHARES com construções espalhafatosas." Era assim CONNOSCO. ACONTECIAM sempre estes seus conselhos... Paradas, em qualquer SÍTIO, em qualquer ESQUINA, a conversa ia, invariavelmente aí parar. Eu encostava-me ao seu OMBRO. Ela CONSOLAVA-me, "Não te estou a RALHAR,," dizia-me, PACIENTE. Mas, cá por dentro, eu, teimosa, só queria fazer o contrário...
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias

Fernanda Malhão ― desafio 40

Um grande amigo de adolescência,  para os amigos. Naquela altura era um pouco tonto. Lembro-me quando estávamos sentados naquele toro da praça onde nos juntávamos com a malta, ele parecia um rei no seu trono a contar as suas peripécias e disparates, e nós todos ali em torno dele a rimo-nos! Hoje é um arquiteto de renome, foi morar para Toronto, fez lá o doutoramento. Agora em adulta, noto como podemos mudar ao longo da vida!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 40a partir de anagramas contendo as letras de Toronto

Daniela S ― desafio 41

Tenho imensa arte para dar e vender, mas não me dão muita importância, com o passar do tempo vou-me dando valor e aprendendo que se não fizer por mim, ninguém o fará, se não correr atrás do que quero, não chego a lado nenhum. Em cada arte expresso muito os meus sentimentos, a minha cultura e continuo com a minha deambulação maluca por cidades e tento observar como as pessoas lidam e observam a arte pura.
Daniela S., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Leceia, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Vitória V ― desafio 41

À medida que deambulava pelas ruas de Lisboa, vi que fosse para onde fosse que eu olhasse, via a arte e a cultura portuguesa por tudo o lado. 
Quanto mais observava a cidade, mais aquele sentimento de explorar florescia. Para mim, aquela era a cidade que mais me transmitia sentimentos e aprenderes, pena que não era assim para toda a gente que lá passava, que prestavam mais atenção às lojas do que davam valor aquela bela cidade.
Vitória V., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Caneças, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Diogo G ― desafio 41

Aprendi a observar a arte e cultura que me rodeia
Grande valor para quem faz parte dela
cada um colhe o que semeia
sinto que a vida é bela

Contente por partilharem o sentimento comigo
Aprender, o karma é meu amigo
mantem o equilíbrio
dia após dia deambulo sobre o paraíso

Dos bairros de Brooklyn
Aos bairros da Amadora 
Afrika Bambaataa surgiu com a ideia inovadora
dar valor às 6 vertentes, Hip Hop não é só smokin´
Diogo G., 16 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Amadora, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Mafalda D ― desafio 41

Amadora, ela é uma cidade que para mim tem um sentimento especial, não só porque cresci aqui, mas como fiz amizades, levou-me a aprender várias coisas. Ao mesmo tempo que andava tempos por estas ruas, observava em todos os cantos a arte a sua cultura e até as pessoas que davam valor ao seu crescimento e no que se ela tornou, continuei com a minha deambulação para ver o quanto as pessoas desta cidade gostam dela. 
Mafalda D., 17 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Amadora, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Gustavo S ― desafio 41

Estamos sempre a aprender, quer seja a observar ou até mesmo fazer arte, porque é com os nossos erros que conseguimos entender. 
Quando começamos a perceber do que nos rodeia, o nosso sentimento começa a ser diferente, começamos a ter uma outra perspetiva e a dar valor a tudo. Por mais que pensemos que estamos numa deambulação sem fim, no final do túnel há sempre uma nova aprendizagem e cultura.
Basicamente é o que nos faz viver.
Gustavo S., 17 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Amadora, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

O grande pato ― desafio 41

Casa, local construído à base de gostos pessoais e cultura, onde esculturas de gato são arte, cada canto da casa tem de estar cheio de objetos sentimentais que mais cedo ou mais tarde vais vender, finalmente aprendes, que tens de dar valor ao uso de eletricidade e água, olha “pra” conta deste mês, como exemplo, e se com sorte tiveres uma janela, podes observar os pássaros a deambular na direção da ração do teu animal de estimação.
O grande Pato, 17 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Jana, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Ana R ― desafio 41

Ia eu percorrendo as ruas de Sintra.
Observando e deambulando a linda e única arte urbana nas paredes de certos bairros.
É um sentimento e uma imaginação inexplicável, de pouca compreensão dos grandes.
É uma cultura que se expõe a mim, a ti e ao mundo.
Porque serão poucos os que dão valor?
Talvez com medo da triste realidade que representa, que os representa.
Aprendendo e aceitando, cada um se sentirá parte deste próprio e único mundo. 
Ana R., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Massamá, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Daniel S ― desafio 41

Houve uma altura em que eu queria aprender tudo sobre arte e a cultura de países diferentes, mas com o tempo fui perdendo o interesse da minha grande deambulação sobre o assunto.
sentimento de curiosidade e de querer explorar desapareceram, agora tudo que eu queria, era observar como as pessoas evoluíam, se comportavam, se davam valor, a quem lhes importavam em situações de crise ou que fariam para sobreviver.
Acho que tenho visto demasiados filmes pós apocalípticos.
Daniel S., 17 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Queluz, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Marta R ― desafio 4

Antigamente eu observava a arte e a cultura de muito perto, sempre me fascinou, o porquê não sei, só sei que o sentimento que carrego é pura paixão, quando falo disso, sinto vontade de aprender mais e mais.
Muita gente não percebia o que eu sentia com aquilo, mas eu continuei com a minha deambulação, o meu fascínio era tão grande, que não me davam valor.
Para mim, ver aquilo, trazia-me uma grande felicidade.
Marta R, 19 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Casal-Novo - Caneças, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Rosibel N ― desafio 41

Encontro-me só, a deambular pelas ruas,
E com os meus dois olhos de marioneta
Observo as suas estruturas,
Tendo de cada detalhe o significado de ser lisboeta.

Todas elas transbordam artes,
Esbeltas e arrebatadoras que lá me prende
Ao sentimento dos que passaram antes
Como se me dissessem, criança olha e aprende.

Vejo tudo além das culturas,
E tudo o que as pessoas dão valor
 sem se deixar levar pelas ruturas,
mantendo vivo todo o seu calor.
ROSIBEL N., 19 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Amadora, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Bruno N ― desafio 41

Moro nesta vila mais de 10 anos, e enquanto atravesso as suas ruas, observo tudo à minha volta e prevalece um sentimento de paz, enquanto deambulo. A cultura da minha vila não é muito relevante, mas no que toca à arte, está cheia dela. Paredes pintadas com graffitis trabalhados e azulejos detalhados no chão. Dou valor a este tipo de arte, porque aprendi com vários comentários, que a arte, seja boa ou má, será sempre criticada.
Bruno N., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Carnaxide, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Mariana G ― desafio 41


Foi ao observar 
Cada sentimento que me descreveste,
As pequenas coisas que me fizeste dar valor.
Que amar é arte,
Uma arte incompreensível.
Aprendi contigo várias coisas,
Sobre várias culturas, costumes, comidas.
Contigo a deambulação não era enfadonha,
O tempo era relativo 
Porque parecia infinito.
Mas nem tudo é um mar de rosas
E nós não fomos uma exceção.
Mariana G., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Quinta do Anjo, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Marta S ― desafio 41

A pé pela floresta de Sintra, quase a chegar à Peninha, observo o verde das árvores, das ervas daninhas, muitas delas com geada e a calmaria daquele lugar, o sentimento de felicidade, o zen, que só quem gosta da natureza sabe dar valor. Deambulando até à entrada da Ermida de São Saturnino, tudo estava em ruínas, apenas a estrutura estava inteira, sem os azulejos, apenas o ambiente da arte e cultura, que eu aprendera antes, lá estava. 
Marta S., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Tapada das Mercês, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Gaspar F ― desafio 41

A situação em que vivemos atualmente, tem sido difícil para todos nós. Aprendemos a relacionarmo-nos à distância, o que vai contra a nossa cultura de seres sociais, uma arte que tivemos de desenvolver.
Quando estamos em deambulação pelos passeios vazios e observamos o que se passa à nossa volta, é que damos valor ao tempo em que podíamos estar com os amigos.
É um sentimento de medo e de revolta, por não podermos fazer o que queremos.
Gaspar F., 18 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Turma 544, Areeiro, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Íris F ― desafio 41

Há alguns anos atrás viajei até à Madeira onde tenho família, consegui observar coisas maravilhosas, desde o momento que acordava e abria a janela e conseguia ver o Funchal todo. Passava os dias inteiros a deambular naquelas ruas cheias de arte e cultura. Naqueles dias que lá passei, aprendi a dar valor a pequenas coisas e aprendi também a fazer a famosa poncha de vários sabores. Não consigo explicar o meu tamanho sentimento por aquela maravilhosa ilha. 
Íris F., 17 anos, Escola Gustave Eiffel – Venda Nova, Rio de Mouro, Turma 544, prof. Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

26/06/20

Diogo D ― desafio 130


― Ai rica espiga esta que deus me deu! Este pão é tão bom, mas faz tão mal à saúde.
― Oh mulher, quem te disse isso? ― resmungou o marido.
― O médico, disse que fazia engordar e piorar os diabetes ― responde a mulher triste.
― Faz lá mal agora! Onde é que já se viu pão a fazer mal, mulher, pão é vida! Estes médicos de hoje em dia não sabem de nada! Só falam em esperança média de vida!
Diogo D., 16 anos, prof Adelaide Passarinho
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança

Isabel Fortunato ― desafio 41

Enquanto percorria as ruas de Lisboa, observava tudo à minha volta , o meu sentimento e imaginação recuaram no tempo, onde a arte e a cultura eram as palavras de ordem, davam valor ao crescimento e evolução do país. Sinto como se por mim passassem cavalos e carruagens, escutava conversas aqui e ali, crianças brincavam e riam, que bons tempos. Eu continuei a minha deambulação frenética para aprender mais sobre a minha cidade. Observava, quieta, a vida.
Isabel Fortunato
Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Elsa Alves ― desafio 32

― Diga?!? 33??? Deve ser p'rá direita. Do outro lado da rua...
― Do outro lado?
― Repare: daqui são os números pares. Portanto, os ímpares são do outro lado. Deve ser muito perto. Já no próximo quarteirão, talvez.  É uma casa particular? Ou um estabelecimento comercial?
― Sei lá, menina!!! O nome do destinatário não é português... Nem são as nossas letras... Veja...
― Ora... É o restaurante grego, do senhor Domenikus...
― Não havia eu de estar a ver-me grego... Obrigado!
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

Fernanda Malhão ― desafio 39

O menino Alexandre estava todo entusiasmado, nas férias da Páscoa iria fazer com os primos uma caça ao tesouro na casa da aldeia. A sua imaginação começou logo a trabalhar, o que seria o tal tesouro? Um baú cheio de moedas? Uma caixa com muitos brinquedos? Se fosse Legos já ficaria muito contente. Astuto e motivado foi o primeiro a encontrar!
Oh, afinal era só um ovo de Páscoa! Que desilusão, pois ele não gostava de chocolates.
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio n.º 39 história que contém a frase: “Afinal, era só um ovo de Páscoa”

Elsa Alves ― desafio 32


O Capuchinho Vermelho era muito desobediente. Nunca seguia os conselhos da mãe. "Não brinques na floresta, é perigoso..." Avisava-a a mãe, que era cuidadosa. "Vive lá um lobo, muito feroz..." O Capuchinho nunca vira tal bicho. Diariamente, levava o lanche à avó. Saltou-lhe o lobo malvado, ao caminho. Gritando, por socorro, acudiu-lhe um caçador. Um tiro certeiro matou o lobo. (Preparados para o final da história?). "Já podes brincar na floresta." Sem lobo?!? Qual era a graça?
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 32 – 11 frases se 6 palavras + o que resta

Fernanda Malhão ― desafio 38


Pela minha parte, creio na ciência como uma poesia. A ciência dePEnde LArgamente da criatividade. AdMItam cientistas, vocês também soNHam como os poetas! APenas quem sonha é capaz de criAR. Não TEmam as Críticas, mentes ágEIs apONtam caminhos, ACendem novas ideias! Não freIEm a vossa imaginação, aNCorados à conceitos fixos. Devemos amplIAr o nosso COnhecimento sem esMOrecer a imaginação. Conhecimento acUMulado, sem ser AProveitado, adOEce. Ciência não é depóSIto de conhecimento, tem de estAr viva, em movimento!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto

24/06/20

Elsa Alves ― desafio 31

Na cidade dos números só havia desavenças... O dois deixara de falar ao três. O cinco não queria ir ao cinema com o sete. O oito recusava contar histórias ao quatro. O seis não brincava com o nove. O um, que era muito acertado, pediu auxílio ao zero. Juntos, tiveram uma ideia: pedir ajuda às letras. Estas, uniram-se, formando palavras que chamaram os números à razão: "Amizade, Gentileza, Harmonia, Paz..." Contagiaram os números. Tudo voltou ao normal.
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 31  – um conto com matemática…

Fernanda Malhão ― desafio 37

Fui sem destino, sem rumo nem prumo. Um ser sozinho, num ritmo louco, correndo e refletindo sobre o meu mundo, ouvindo um sussurro que entendi vir mesmo do meu interior. Dói muito mexer em pontos escuros de nós mesmos. Ver onde construí muros, onde errei, onde me negligenciei em prol de outros. Sendo que é possível desconstruir muros e erguer pontes, decidir em que moldes quero viver, tendo como certo que no fim colherei o que semeei!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Filomena Galvão ― desafio 211

- Está lá? Está? Está sim?
- Sim. Está, sim. Diga, por favor.
- Bom-dia. É da loja de cuecas e soutiens Vogue?
- Bom-dia. É sim.
- Ó menina, qual é a sua graça?
- A minha graça? Eu chamo-me Carmem, o meu nome é Carmem.
- Ó menina Carmem, eu gostaria de falar com a menina séria.
- Menina Séria? Aqui não há nenhuma menina Séria. Deve ser engano.
- Meu Deus, não me diga! Uma loja onde só trabalham meninas. Nenhuma é séria?
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

23/06/20

HN ― desafio 120

Numa manhã de domingo, saí à rua para ir passear o meu cão Domingos. Mas, nem acreditam no que aconteceu. O meu cão puxou-me com tanta energia que cai pela escada abaixo.
Fiquei magoada. “Uma queda enorme!”, disse a minha mãe quando olhou pela escada do nosso 3º andar. Deslocou-se até casa e chamou a ambulância. O Domingos preocupado, lambeu a entorse da menina, com muito cuidado.
Passado um tempo, a menina desceu as escadas com cuidado."
HN, 11 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Fernanda Malhão ― desafio 36


O São João veio cá para ver como estava o seu dia. Tudo novo, de um jeito diferente!
Começava a cheirar à sardinhada, mas pessoas nas ruas, isso nada! E agora? Foram todos para cama? Sem a alegria da noite do São João, ninguém dançava nem saltava, nenhum grito: Olha o balão!!!
Corona, és um vírus sem igual,
Vais levar com o martelo!
Até deixares de fazer mal!
Vai-te embora, ou ainda levas também com o chinelo!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
“Deitar e levantar-se” em Contos ao Telefone de Gianni Rodari ― Com um grito, saltava da cama e começava um novo dia.
Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa

Elsa Alves ― desafio 30


BOM... isto não vai ser nada fácil...
SABER o que  sei e não abrir a boca?
É a parte mais complicada, claro.
O pior é o que pode vir a acontecer...
CALAR a verdade vai ser dificílimo, mas tenho que fazê-lo...
ATÉ o perigo passar: fecho-éclair.
SER conivente com aquela acção, caramba!
TEMPO, sim, é isso: dou tempo ao tempo...
DE qualquer maneira, tenho que assumir as consequências.
FALAR é muito bonito, mas, será que vou conseguir?!?
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto

Theo De Bakkere ― desafio 211

A chamada telefónica
Como se fosse um antigo telefone, o som ensurdecedor rompeu o taciturno sossego. O proprietário dessa irritação já tinha o telemóvel ao ouvido e gritou "estou."
― Sim doutor, sou eu próprio.
― Já conheço o resultado!
― Como! Tenho pedras nos rins?
― Cal no sangue e água nos joelhos
Aparentemente, fiava-se pouco no médico.
― Ó doutor, encontrou tudo isto no sangue. Talvez ache também cimentos nos meus bolsos e então poderei construir uma casa.
Havia risos abafados no comboio
Theo De Bakkere, 68 anos, Antuérpia-Bélgica
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Paula Castanheira ― desafio 211

- Cesariny. Não?
- Saramago?
- Mestre… sou eu.
- Eu… Eu…
- Watson! Esses dois… desculpe, mas ainda não nasceram!
- Elementar, meu caro Watson!
- Mas, mas… eu, não sou o John.
- Claro que não!
- Mestre, está? Eu sou… o Thomas.
- Thomas?!
- Sim. Estou aqui…
- Não o vejo.
- Valha-me Deus! Na sala ao lado. Os diapasões, as palhetas, lembra-se?
- O telefone?
- Sim, Mestre! Inventou-o!
- Meu Deus, isto fala!
- A patente. Tem de a registar.
- Mr. Watson, venha cá, eu preciso do senhor!
Paula Castanheira, Massamá
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Toninho ― desafio 211

Aquela coisa negra tocava insistente trim trim trim.
 Jacira pegou invertido o aparelho, ouvia mal.
Do outro lado uma insistente voz de alô e alô.
Você foi sorteada para primeira ligação.
Fala mais alto não tô ouvindo nada nessa coisa
Eu sou o Graham Bell de Londres
Ah sim Sir. Guilherme Tell eu gosto de ver cinemascope.
Não sua surda sou Graham Bell inventor do telefone.
Ah, Sir. Guilherme não vi flecha nenhuma aqui
Tum tum tum.
Toninho, 64 anos, Salvador-Bahia-Brasil
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones
Postado em Desafio 211

22/06/20

Elsa Alves ― desafio

Tenho vindo a aperceber-ME de que as minhas fraquezas são muitas . Demasiadas, até. Tenho que aceitá-las e juntá-las às minhas forças.
NEM podia ser de outro modo. Comigo  e com os outros : a nossa medida exacta está no motivo e no momento em que as usamos.
ONTEM isso tornou-se claro. "Decide-te" , disse-lhe eu. "Ganha juízo ou desanda!" Ele fixava-me, incrédulo. Eu ainda mais...
Hoje MANTENHO aquelas palavras. Ele foi-se embora. Custou-me muito. Mas a situação era insustentável...
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Fernanda Malhão ― desafio 35

Amar é ter um pássaro pousado no dedo, apreciamos a sua beleza, sorrimos ao ver a sua delicadeza, ficamos contentes só por tê-lo ali. Mas a sua presença deve ser leve, livre, não por estar preso, acorrentado ao nós. Livre para poder usar os seus talentos: cantar e voar. E quem sabe terá vontade de voltar onde a sua presença é aconchego.  O amor, é sentimento forte, mas mais do que eterno, que seja infinito enquanto dure!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Início: Ruben Alves
Fim: Vinícius de Morais
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Natalina Marques ― desafio 211

TELEFONES
― Alô, querida,
sou o teu Afonso
e tu és a minha vida.
― Olha para ele,
todo derretido 
a mudar de cor.
― Deve estar a ouvir
uma conversa de amor.
― Pois deve… ― dizia outro
cheio de curiosidade.
Só é pena que este tempo
voe como o pensamento.
― Porque dizes isso,
não sejas agouroso.
― Um dia seremos trocados,
por outros mais glamorosos,
e ficará nas memórias
pedaços dessas histórias.
― Pois sim, e com isso ficaremos
quando na sucata estivermos.
Natalina Marques, 61 anos, Palmela
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Verena Niederberger ― desafio 211


Trim, Trim, Trim, campainha toca.
Pombinha corre até a porta.
Ninguém aparece...
e
Novamente ela ouve
Trim, Trim, Trim.
Finalmente percebe o toque do telefone na mesa de canto.
― Alô!
Do outro lado da linha, uma voz metálica pergunta:
― Quem fala???
― Aqui é a Pombinha.
Pardal pergunta:
― Aí é a Andorinha???
― É engano.
Aqui não tem nenhuma Andorinha.

Clic e o telefone desliga.
Trim, trim e
Pombinha atende
― Quem fala??
― Aqui é a Águia.
Andorinha me ligou????
Verena Niederberger, 69 anos, Rio de Janeiro - Brasil
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

20/06/20

Fernanda Malhão ― desafio 211

Grande rebuliço de pessoas a volta daqueles telefones. Algo que poderia mudar o rumo da humanidade estava prestes a acontecer! Depois de tudo testado, o tal esperado momento chegou! E pela primeira vez puderam comunicar via telefónica em simultâneo 4 pessoas em lugares distintos! Aqueles homens nem imaginavam que passados 143 anos estaríamos todos a comunicar em vídeo-chamadas, com imensas pessoas em todo o mundo! Um sonho que começou pequeno e que hoje é uma grande realidade!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Chica ― desafio 211


Vovô Bell no sótão da casa que abrigava a grande família.
Ali guardava tudo que encontrava pois quem sabe um dia daquilo iria precisar para suas construções...
Nos últimos dias estava envolvido. Mas chegou a hora... Colocou aparelho na sala. Lá do sótão, conseguiu emitir som, ouvido por todos. Crianças espantadas chegaram perto.
Bell gritava: Sou eu! Quem me ouve?
Todos voaram pra mais perto do invento ficar!
Emitiam sons e vovô se divertindo do outro lado!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Margarida Fonseca Santos ― desafio 211

Estou? Estou sim?
Estou! Estou, sim!
Eu estou, sim…
Sim, sim, estou!
Raios, isto avariou-se? Estou? Estou sim?
Estou! Estou, sim!
Eu estou, sim…
Sim, sim, estou!
De que número fala?Um!
Estou a perguntar de que número fala!
Um!
Ó homem, qual é o seu número?
Número um!!!
Bolas, podia ter dito logo. Daqui fala o dois.
Dois quê?
Número dois.
Eu sou o um.
Sim, já percebi. O que deseja?
Eu?! Nada. E você?
Hum?...
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

Elsa Alves ― desafio 26

Obrigadinho por me enganares com a minha melhor amiga! Tornaste muito mais fácil a minha decisão. Há anos que aguento as tuas infidelidades. Tenho aceitado as tuas desculpas. Vou-te recebendo de volta, esperando que seja a última vez. Nunca é, vem logo outra a seguir. Agora, acabou-se!!! A malinha está à porta. À roupa juntei os CDs de música pimba que tu adoras. Eu dispenso... Também podes levar a carripana. P'ra velha basto eu. Desejo-te muitas (in) felicidades.
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 26 – dedicatória para alguém

Fernanda Malhão ― desafio 34

Evito passar naquela esquina, ou passo rápido e sempre a olhar pelo ombro. Porquê? Simples! Há sítios que devemos procurar evitar. Costumava estar ali uma velhinha, parecia estar sempre a ralhar connosco! Mas se parássemos para ouvir, estava era a aconselhar! Impossível esquecer as histórias que costumava contar e as frases que dizia:
― Os mortos são pacientes, mas quando vão atrapalhar o seu descanso! Nada os faz consolar! Eu sei o que acontece ali no cemitério!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias